Oferta das ações da XP na Bolsa americana pode ficar abaixo do esperado pelo mercado

IPO pode movimentar até US$ 2,1 bilhões com lote adicional, US$ 400 milhões abaixo da previsão de US$ 2,5 bilhões

São Paulo

A oferta da XP Inc na Bolsa de valores dos Estados Unidos pode alcançar até US$ 2,1 bilhões contando o lote adicional de 10.876.596 ações concedidos como opção de compra aos subscritores pelos acionistas vendedores. O valor é US$ 400 milhões abaixo do esperado pelo mercado, de US$ 2,5 bilhões. A faixa indicativa de preço do IPO (da sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) nos Estados Unidos foi estabelecida nesta segunda-feira (2) entre US$ 22 e US$ 25.

O prospecto preliminar atualizado da companhia foi protocolado na SEC (órgão regulador do mercado nos Estados Unidos, equivalente à CVM no Brasil) e aponta para uma oferta de venda de 72.510.641 papéis classe A. A companhia se inscreveu para listar suas ações na Nasdaq, sob o símbolo “XP”. No preço máximo, de US$ 25, a XP chegaria ao mercado valendo US$ 13,8 bilhões.

Desse total, 42.553.192 serão negociadas em oferta primária, enquanto as outras 29.957.449 serão vendidas em oferta secundária, pelos sócios executivos da corretora: os fundos de private equity General Atlantic e Dynamo. Com o lote adicional, a oferta totalizaria 83.387.237 papéis.

O nome da bolsa americana Nasdaq aparece em um vidro de porta giratória, o qual reflete a cidade de Nova York
XP Inc. (denominação do Grupo XP Investimentos desde setembro) havia protocolado seu pedido de abertura de capital na bolsa americana em 15 de novembro - Andrew Kelly -28.set.2019/ Reuters

A XP Inc continuará detendo ações classe B (as quais possuem um poder de voto dez vezes maior) e terá o equivalente a 56,2% do poder de voto. O Itaú Unibanco, que comprou 49,9% da corretora em 2017, não venderá ações.

A companhia havia informado que parte do dinheiro captado no mercado será usado para o funcionamento da sua própria instituição financeira (a corretora recebeu o aval do Banco Central para ter um banco em setembro). A XP também deve expandir sua atuação em outras áreas, como seguros e meios de pagamento.

O dinheiro captado com a oferta de ações deve ser destinado, ainda, para aumentar o dinheiro em caixa –o que apoiará a expansão do negócio da companhia e dará fôlego para gastos com marketing e publicidade para atrair clientes. A corretora afirma ter mais de 1,5 milhões de clientes ativos.

Além disso, a empresa também afirmou que uma parcela dos recursos captados também poderá ser usada para novas aquisições relacionadas ao seu negócio.

Dentre os riscos listados em seu relatório, a XP havia identificado deficiências em seu controle interno sobre relatórios financeiros –os quais, sem correção, trazem a possibilidade de a companhia não conseguir evitar fraudes nem cumprir suas comunicações obrigatórias, além de implicar em possíveis imprecisões em seus resultados operacionais.

A corretora também reportou em seu prospecto outros riscos relacionados à cibersegurança, como o vazamento de dados de seus clientes, revelado em 2017, e à maior concorrência no mercado de capitais.

Analistas consideram que a eliminação do risco de variação cambial e a intenção de atrair um maior volume de negociações podem ter sido fatores que pesaram na decisão da corretora em abrir capital em Nova York, além do melhor posicionamento da companhia entre investidores, uma vez que o mercado americano é mais desenvolvido.

No início do ano, a XP anunciou que tem uma meta de alcançar R$ 1 trilhão de ativos sob custódia até o final de 2020. No prospecto, a companhia afirmou ter 350 bilhões em ativos sob gestão. O lucro de janeiro a setembro foi de R$ 699 milhões.

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