Polícia Federal desarticula quadrilha de brasileiros e venezuelanos por contrabando de ouro

Em três anos, grupo teria extraído 1,2 tonelada de ouro de garimpos clandestinos

João Paulo Pires
Boa Vista

A Polícia Federal realizou na manhã desta sexta-feira (6) uma operação para desarticular uma quadrilha formada por brasileiros e venezuelanos que contrabandeou ao menos 1,2 tonelada de ouro nos últimos três anos, avaliada em R$ 230 milhões. O mineral teria sido extraído de garimpos da Venezuela e de garimpos clandestinos em Roraima.
 
A PF cumpriu 85 mandados nos estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e São Paulo, expedidos pela 4ª Vara Federal de Roraima após representação do órgão policial e manifestação do Ministério Público Federal. A Justiça autorizou ainda o bloqueio de até R$ 102 milhões dos suspeitos.
 
São cumpridos 17 mandados de prisão preventiva, 5 de prisão temporária, 48 buscas e apreensões e 15 bloqueios de bens. 

A Justiça da República Dominicana expediu uma ordem de prisão de um dos alvos da operação por tráfico de drogas e lavagem de capitais, que passou a constar na lista da Interpol.

Cerca de 120 índios formam com seus corpos a expressão 'Fora Garimpo', na Terra Indígena Ianomâmi, no sábado, 23 de novembro - Victor Moriyama/Divulgação/ISA

Os principais crimes investigados são participação em organização criminosa, contrabando, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e receptação, além de falsidade ideológica e de documento público.
 
Se condenados, os líderes do esquema podem ter penas que ultrapassam 50 anos de prisão.
 
Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso seria composto por venezuelanos e brasileiros que moram em Roraima e compravam ilegalmente o ouro de garimpos clandestinos de Roraima e do país vizinho com o auxílio de servidores públicos que integrariam a mesma organização.

Entre os investigados estão um analista da Receita Federal, uma auditora fiscal estadual de tributos de Roraima, um procurador do estado de Roraima e uma servidora comissionada da Procuradoria Estadual. A suspeita é de que eles recebiam propinas para dar um aspecto de legalidade ao mineral emitindo documentos falsos de empresas de fachada.
 
As investigações identificaram que os servidores públicos envolvidos ajudavam o grupo fazendo uma espécie de consultoria para o resgate do ouro apreendido, elaborando pareceres e dando parecer favorável das remessas de ouro.
 
Esse ouro era comercializado para uma empresa especializada na recuperação de minérios, localizada no interior de São Paulo, que recebia e vendia o material para o exterior.
 
As investigações começaram em setembro de 2017, quando o órgão apreendeu cerca de 130 gramas de ouro no aeroporto de Boa Vista que seriam destinados a uma empresa em São Paulo. Uma nota fiscal falsa acompanhava o minério como compra de “sucata de ouro”.

A Receita Federal contribuiu com as investigações e, a partir de cruzamentos de informações, foi identificada uma movimentação pelo menos 1,2 tonelada de ouro entre 2017 e 2019.
 
O valor representa mais de R$ 230 milhões de acordo com a cotação atual, do quais que seriam tributados aproximadamente 26 milhões de reais apenas em impostos federais caso o procedimento de importação tivesse ocorrido regularmente, segundo a Receita Federal.
 
Só em 2018, a empresa que recebia o ouro em São Paulo teria exportado mais de R$ 1 bilhão em ouro e triplicado o próprio faturamento nos últimos 3 anos.

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