Prioridade é evitar possível calote, afirma novo ministro da Economia da Argentina

Martín Guzmán disse que sua prioridade é resolver o problema de um eventual default

Buenos Aires

O novo ministro da economia da Argentina, Martín Guzmán, disse nesta quarta-feira (11), em sua primeira aparição em público, que sua prioridade é “resolver o problema de um eventual default [calote da dívida]”, e que isso será difícil porque a crise do país, segundo ele, é muito grave.

“A situação é de extrema fragilidade”, afirmou.

A agência de classificação de riscos Fitch, por exemplo, reduziu em agosto — após as eleições primárias argentinas indicarem a vitória de Alberto Fernández— a nota da Argentina de “B” para “CCC”, citando uma maior probabilidade de default.

A classificação aponta risco maior de que o país não honre o pagamento da dívida.

Guzmán disse que nada pode ser feito de uma só vez. “Portanto, não vou fazer aqui nenhuma promessa muito grande, porque senão será como a promessa da chuva de inversões que [o ex-presidente] Mauricio Macri fez e não deu certo. Seu modelo não deu certo porque não dá certo em lugar nenhum do mundo”.

O ministro negou que vá haver emissão grande de moedas para cumprir os compromissos “imensos e em moeda estrangeira que a Argentina contraiu”. 

A estratégia, segundo ele, será a de construir um plano macroeconômico “em que se resolvam os múltiplos desequilíbrios que existem, priorizando quais são de fato os mais importantes”.

O ministro avisou que o Congresso trabalhará em sessões extraordinárias neste fim de ano para aprovar medidas para atender os extratos mais afetados da população e para deter a queda do PIB e o aumento da inflação.

Entre as medidas está a criação de um bônus para os aposentados. Guzmán disse que a situação dos aposentados “é muito grave, é inaceitável”.

Ele disse ainda que, para evitar um ajuste fiscal brutal, a Argentina precisa poder negociar e mudar a estrutura da dívida.

“O FMI será parte disso”, afirmou, alertando que já se encontrou com representantes da entidade.

“O FMI sabe da grave econômica em que estamos, e por isso há a possibilidade de que acreditem em nosso programa. O programa será nosso e não o desenhado pelo FMI”, disse.

E anunciou que será escolhida uma comissão papara tratar da dívida externa argentina.

Indagado sobre uma conferência que deu em novembro, quando ainda não sabia que ia ser ministro, em que disse que o deadline para a dívida com o Fundo Monetário Internacional era em março de 2020, Guzmán afirmou que essa intervenção não pode ser usada para refletir o que pensa como ministro. 

“Nada do que foi dito num ambiente acadêmico, e anterior à minha nomeação, pode ser entendido com como vejo o problema da Argentina hoje”.

Sobre os US$ 11 bilhões restantes da linha de crédito do FMI que faltavam ser entregues e que Fernández dispensou, disse não fazer sentido recebê-los agora.

“Dada as restrições que enfrentamos, não podemos assumir novos compromissos.”

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