Descrição de chapéu Financial Times

Airbus admite que pagou milhões em propinas para ganhar encomendas

Empresa pagará multas de 3,6 bilhões de euros a órgãos reguladores da França, do Reino Unido e dos EUA

Londres | Financial Times

A Airbus admitiu ter canalizado milhões em propinas ao longo de vários anos por uma rede de intermediários para conseguir encomendas internacionais, segundo declarações feitas na sexta-feira (31) a tribunais de Londres e Paris. A empresa pagará multas de 3,6 bilhões de euros (cerca de R$ 17 bilhões) a órgãos reguladores da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Muitos subornos foram pagos através de empresas de fachada criadas por executivos que trabalhavam para uma unidade autônoma de estratégia e marketing, certa vez descrita pelo ex-presidente-executivo Tom Enders como "castelo de merda", de acordo com informações descobertas nas investigações.

As infrações abrangeram mais de 16 países, incluindo Nepal, Rússia, China e Colômbia. A Airbus pagará 2,1 bilhões (R$ 9,9 bilhões) de euros à França, 983 milhões (R$ 4,6 bilhões) ao Reino Unido e cerca de 530 milhões (R$ 2,5 bilhões) aos Estados Unidos.

Logo do Airbus;  analistas preveem multas de mais de € 3 bilhões
Logo do Airbus; empresa pagará multas de 3,6 bilhões de euros (cerca de R$ 17 bilhões) a órgãos reguladores da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos - Regis Duvignau/Reuters

A admissão pela Airbus de uma série de crimes de suborno e corrupção que remonta a pelo menos 2007 em seus negócios de aeronaves civis, bem como violações na divulgação de documentos sobre exportação de armas dos EUA, encerra uma investigação de quatro anos que é um marco na cooperação global contra a corrupção.

A Airbus entregou cerca de 30 milhões de documentos às autoridades durante a investigação, enquanto seus funcionários eram interrogados em todo o mundo e computadores, examinados.

A multa supera a sanção de 671 milhões de libras (R$ 3,18 bilhões) imposta à Rolls-Royce em 2017 por órgãos reguladores dos EUA, do Reino Unido e do Brasil por delitos semelhantes de suborno e corrupção.

A empresa estará isenta de processo, desde que não cometa mais infrações e melhore os procedimentos de compliance. Mas espera-se que as autoridades americanas agora movam processos contra indivíduos, disseram fontes internas.

A confissão é uma grande vitória das reformas anticorrupção adotadas na França em 2016, após uma ação dos EUA contra a Alstom e o BNP Paribas, em 2014. Elas visavam se equiparar aos padrões internacionais em processos de crimes de colarinho branco, endurecendo as sanções e os padrões de compliance.

A investigação sobre a Airbus foi lançada pelo Escritório de Fraudes Graves (SFO na sigla em inglês) da Grã-Bretanha em 2016, depois que a empresa relatou imprecisões em suas divulgações à agência britânica de crédito à exportação sobre o uso de intermediários.

Dois anos antes, a empresa sob o comando do ex-executivo-chefe Enders havia interrompido os pagamentos a intermediários em consequência de perguntas sobre determinadas comissões, e as discrepâncias foram descobertas como parte de uma revisão interna de compliance.

Um ano após a investigação do SFO, a investigação se ampliou e a liderança foi transferida para o Promotor Financeiro Nacional da França. Em 2018, autoridades americanas aderiram ao inquérito, após novas admissões da Airbus de que havia descoberto mais imprecisões em documentos relacionados aos controles de exportação de armas dos EUA.

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