Alshop desiste de evento para explicar dados sobre o Natal

Números de venda de shoppings haviam sido contestados por entidade dissidente

São Paulo

A Alshop (Associação de Lojistas de Shopping), que ficou no centro de uma polêmica sobre divulgação de números das vendas de Natal, desistiu do evento que pretendia realizar neste mês para apresentar como são feitas as pesquisas da associação. Diz, no entanto, que enviará comunicado à imprensa com números consolidados da data até o fim da próxima semana.

Há menos de um mês, quando teve os dados contestados por outra associação, Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, afirmou à Folha que pretendia reunir a classe em um encontro na primeira quinzena de janeiro para esclarecer como são feitas as pesquisas.

Nesta quarta-feira (22), ele disse que a entidade optou por enviar os números consolidados, sem realização de evento. A divulgação ocorre próxima à da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), marcada para o dia 30.

"Estávamos estudando duas possibilidades. Uma era a coletiva e a outra um release a toda a imprensa, colocando-nos à disposição de quem tivesse dúvidas. Terminada a consolidação, que deve ser na semana que vem, vamos repassar os números finais, que devem ser de 1% a mais ou 1% a menos do que foi divulgado."

Em 28 de dezembro, a Ablos, associação que reúne lojistas-satélite, questionou a informação divulgada pela Alshop de que as vendas de Natal no varejo dos shoppings haviam subido 9,5% na comparação com o período anterior.

A Alshop, então, reforçou que se tratava de número nominal, sem o desconto da inflação, e que era baseado em estimativas. Disse, também, que o número não estava fechado. 

Em 29 de dezembro, um dia depois de os números serem questionados, Nabil disse que o levantamento é "feito com todo cuidado" e que o faturamento do lojista vai para o shopping porque é um dos métodos do cálculo do aluguel. 

"Por isso os shoppings têm todo o movimento de vendas, e esse é dos dados que consultamos", disse. Ele afirmou que a Alshop "consulta entidades", sem especificar quais. Mencionou a estimativa da Abrasce. 

A Ablos, que tem cerca de 95 associados e foi criada há menos de um ano, pressiona por "dados com base técnica". A associação não reúne lojas-âncora, como Renner e C&A, redes do varejo que possuem espaço maior nos shoppings. Tem entre os associados marcas como M.Officer, SideWalk, Casa do Pão de Queijo e Khelf.

Tito Bessa Jr., presidente da associação e da rede TNG, cita a média divulgada por maquininhas de cartão de crédito como um dado representativo para setor. A Cielo, por exemplo, mediu crescimento de 3,7% no varejo físico e online, embora também processe pagamentos do comércio fora do shopping.

Em entrevista à Folha, Tito afirmou que as vendas de Natal foram afetadas pela Black Friday, que "roubou de mão grande" por ter acontecido na última semana de novembro, e disse que "todo o mundo sabe que não foi o melhor Natal da década".

A Ablos afirma que enviou uma notificação extrajudicial à Alshop pedindo mais informações, mas diz que até agora não obteve resposta.

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