Bolsonaro diz que, se dependesse de Trump, Brasil já estaria na OCDE

Apesar de apoio de Trump, Brasil só efetivamente iniciará o trâmite de adesão após o aval dos demais membros

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro comemorou nesta quarta-feira (15) a intenção dos Estados Unidos de formalizarem o apoio ao ingresso do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no lugar da Argentina.

Na entrada do Palácio do Alvorada, ele disse que se a iniciativa dependesse apenas do apoio pessoal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Brasil já teria ingressado na entidade comercial.

"Não posso falar em prazo. Não é apenas do Trump, [se dependesse] do Trump eu já estava lá. Depende de outros países também. E nós estamos vencendo resistência e mostrando que o Brasil é um país viável", disse o presidente.

Donald Trump e Jair Bolsonaro durante visita aos Estados Unidos - Brendan Smialowski - 19.mar.19/AFP

Segundo disseram interlocutores à Folha, os americanos entregaram uma carta à organização internacional oficializando que querem que o Brasil seja o próximo país a iniciar o processo de adesão à entidade.

Na prática, a ação americana significa que Washington defende que o Brasil ocupe a vaga que era da Argentina na fila de postulantes a um lugar no chamado clube dos países ricos. A candidatura do Brasil era costurada desde o governo Michel Temer.

"A notícia foi muito bem-vinda. A gente vinha trabalhando há meses em cima disso, de forma reservada. São mais de cem requisitos para você ser aceito. Nós estamos bastante adiantados", disse. "E as vantagens para o Brasil são muitas, equivale ao nosso país entrar na primeira divisão", acrescentou.

Apesar do gesto de Trump representar um trunfo para Bolsonaro, o Brasil só efetivamente iniciará o trâmite de adesão à OCDE após o aval dos demais membros —atualmente são 36 países.

 

Embora a entrada do Brasil conte com amplo apoio, novos integrantes não devem ser aceitos até que a OCDE conclua uma negociação sobre o seu ritmo de expansão. Os europeus, por exemplo, querem que mais países sejam aceitos, enquanto que os americanos advogam por uma ampliação mais moderada.

De acordo com pessoas que acompanham o tema, os Estados Unidos querem que o Brasil “fure a fila” e ocupe o local que era da Argentina. Até o final do ano passado a Argentina era governada pelo liberal Mauricio Macri, o que fortalecia o pleito do país pelo ingresso na OCDE.

Com a vitória do peronista Alberto Fernández, os americanos passaram a considerar que as novas autoridades em Buenos Aires deixaram de ver a entrada na organização como uma prioridade. Isso permitiu que a operação de troca fosse realizada.

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