Cancelaram minha palestra na Petrobras sem explicação, diz economista que criticou Bolsonaro

McCloskey afirma esperar que não seja 'retribuição mesquinha do monarca de papel e seus cortesãos' por suas críticas

São Paulo

A economista Deirdre McCloskey, que faria uma palestra na Petrobras nesta segunda-feira (27), afirmou à Folha que não foi informada sobre o motivo do cancelamento do evento e que nem "teve coragem" de perguntar a razão. 

A palestra era intitulada "O cerne da liberdade é a liberdade econômica". No convite, enviado na semana passada, McCloskey é apresentada como "defensora da ideia de que só o liberalismo elimina a pobreza". 

O cancelamento foi anunciado aos empregados por volta das 10h desta segunda. O texto não explica as razões do cancelamento e diz que convite para o próximo evento da série será enviado em breve.

"Eu não tive a coragem de perguntar o porquê. Espero que a Petrobras tenha cancelado por um motivo mais digno [que suas críticas a Bolsonaro]", disse.

Há três dias, McCloskey afirmou em uma entrevista que o governo de Jair Bolsonaro era "qualquer coisa menos liberal". 

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A economista americana Deirdre McCloskey; ela tinha palestra marcada hoje na Petrobras, mas evento foi cancelado sem explicação - Folhapress

A economista disse que deveria ter voado ao Rio na manhã desta segunda, mas que, quando chegou a São Paulo em um voo vindo de Chicago, descobriu que o evento fora cancelado. 

"Espero que não seja verdade que comentários na imprensa façam com que um monarca de papel e seus cortesãos façam uma retribuição mesquinha. Esse não é o estilo de um grande estadista, como Lincoln ou Churchill, mas o de uma criança como Donald Trump. Seria uma má notícias para a democracia brasileira, como certamente é para a democracia do meu próprio país", afirmou.

Ela ainda disse que admira muitas das pessoas que Bolsonaro nomeou e medidas que têm tomado, "ao menos no lado econômico do liberalismo real (não tão bom no campo social)".

À Folha, a Petrobras disse que a palestra foi cancelada porque houve mudança na agenda da diretoria da empresa, que está envolvida na divulgação de oferta pública de ações da estatal que pertencem ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A economista está no Brasil para participar de um evento em São Paulo promovido pelo banco Credit Suisse. Na sexta (24), em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, disse que "os governos de Trump e de Bolsonaro são qualquer coisa, menos liberais".

"A ideia principal do liberalismo é que não haja hierarquias: homem sobre mulher, heterossexuais sobre gays ou Estado sobre indivíduos", afirmou ela, que mudou de gênero no final dos anos 1990.

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