Carlos Ghosn diz que embaixador francês o avisou de conspiração contra ele

Brasileiro, ex-presidente da Nissan fugiu do Japão para o Líbano nos últimos dias de 2019

Beirute | Reuters

O ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn, que falou nesta terça-feira em Beirute, após sua dramática fuga da justiça japonesa, que o embaixador da França o havia avisado pouco antes de sua prisão de que sua empresa estava tramando contra ele.

"Francamente, fiquei chocado com a prisão e a primeira coisa que pedi era para que se certificassem de que a Nissan soubesse para que me enviassem um advogado", disse Ghosn em entrevista na capital libanesa.

"No segundo dia, 24 horas antes disso, eu recebi uma visita do embaixador da França que me disse: 'A Nissan está se voltando contra você'. E foi aí que percebi que era tudo uma conspiração".

O ex-CEO da Nissan Hiroto Saikawa, que foi forçado a renunciar no ano passado após admitir que recebeu compensações impróprias, disse pouco depois da prisão de Ghosn que o brasileiro estaria usando verbas corporativas para propósitos pessoais, sub-reportando sua renda por anos.

A prisão de Ghosn, que era amplamente respeitado por ter salvado a montadora de uma quase falência, colocou o sistema de justiça do Japão sob escrutínio internacional.

Entre as práticas que agora estão sendo debatidas está a manutenção de suspeitos em detenção por longos períodos, excluindo os advogados de defesa das sessões de interrogação, que podem durar até oito horas por dia.

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