Denúncias de trabalho análogo à escravidão crescem 7,63% em 2019, diz MPT

Foram fiscalizados 267 estabelecimentos, sendo encontrados 1.054 trabalhadores em condições análogas à escravidão

Brasília | Reuters

O número de denúncias de trabalho análogo à escravidão aumentou em 2019, para 1.213 casos em todo o país, um aumento de 7,63% em comparação com as situações registradas no ano anterior, 1.127, segundo dados do MPT (Ministério Público do Trabalho) que divulgou o balanço da atuação do órgão em evento em Brasília para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

O MPT informou que atualmente há 1.700 procedimentos ativos em investigação e acompanhamento nas 24 Procuradorias Regionais trabalhistas espalhadas pelo país, envolvendo trabalho análogo à escravidão, aliciamento e tráfico de trabalhadores para a escravidão.

Esse ramo do MP destacou dados da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho segundo os quais no ano passado foram fiscalizados 267 estabelecimentos, sendo encontrados 1.054 trabalhadores em condições análogas à escravidão. Embora o número seja menor do que o registrado em 2018, quando foram registrados 1.745 trabalhadores nessa situação, a quantidade de estabelecimentos fiscalizados aumentou, uma vez que no ano anterior foram inspecionados 252 locais.

Entre 2003 e 2018, segundo o MPT, cerca de 45 mil trabalhadores foram resgatados e libertados do trabalho análogo à escravidão no Brasil. Segundo dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo, isso significa uma média de pelo menos oito trabalhadores resgatados a cada dia.

Nesse período, a maioria das vítimas era do sexo masculino e tinha entre 18 e 24 anos. O perfil dos casos também comprova que o analfabetismo ou a baixa escolaridade tornam o indivíduo mais vulnerável a esse tipo de exploração, já que 31% eram analfabetos e 39% não haviam sequer concluído o 5º ano.

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo foi criado em homenagem aos auditores-fiscais do Trabalho Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, além do motorista Aílton Pereira de Oliveira, que foram assassinados em Unaí (MG), no dia 28 de janeiro de 2004, quando investigavam denúncias de trabalho escravo em uma fazenda. O episódio ficou conhecido como a chacina de Unaí.

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