Descrição de chapéu Fórum Econômico Mundial

Do apocalipse aos encanadores espiões: os cinco momentos do dia em Davos

Fórum Econômico tenta emplacar aparência mais ecológica

AFP

Do “apocalipse climático” à promessa de plantar bilhões de árvores, passando por uma história de supostos encanadores espiões, seguem os cinco momentos do dia no Fórum Econômico Mundial de Davos: 

Tapetes e árvores

O Fórum Econômico Mundial, às vezes acusado de hipocrisia climática pela chegada incessante de helicópteros e limusines, decidiu este ano adotar uma cara mais verde.

Entre outras medidas, utensílios descartáveis foram proibidos, as cestas de lixo se multiplicaram por quatro (de acordo com o tipo de resíduo) e um dos bufês de alimentação oferecia “proteínas alternativas” (sem carne).

Mas talvez a medida mais ambiciosa seja o objetivo de plantar ou salvar “um bilhão de árvores”, uma iniciativa do fórum para unificar diversos projetos desse tipo no planeta. 

Apocalipse à espreita

A ativista climática Greta Thunberg, protagonista do primeiro dia em Davos, participou de uma sessão de título inequívoco: “Como evitar o apocalipse climático”.

Diante dessa visão, o presidente americano Donald Trump, que também participou do fórum, rejeitou em discurso os “catastrofistas”, que ele comparou a “adivinhos” que vêm prevendo há anos o fim do petróleo ou um planeta à beira do colapso por conta da superpopulação.

Para Thunberg, porém, não há dúvida: “Nossa casa está ardendo e nossa inação aviva as chamas”. 

Duas mulheres

Quando o moderador de um dos numerosos simpósios confundiu o nome de duas mulheres (Rachel Kyte, representante especial da ONU para questões de energia, e Vicky Hollub, presidente-executiva do grupo Occidental Petroleum), a primeira comentou: “Estranho, não? Duas mulheres no mesmo debate”.

Uma maneira irônica de comentar a falta crônica de mulheres no fórum; este ano elas respondem por apenas 24% dos participantes, de acordo com dados dos organizadores. 

Encanadores espiões

Em um episódio que parece um romance de espionagem, a imprensa suíça revelou na terça-feira que a polícia havia descoberto meses antes a presença de supostos espiões russos em Davos, portando passaportes diplomáticos, um dos quais havia se disfarçado de encanador.

De acordo com a imprensa local o objetivo deles era instalar sistemas de escuta para espionar dirigentes e políticos. 

“Piratear” seres humanos

Diante do otimismo, muito frequente em Davos, quanto aos benefícios da inteligência artificial, Yuval Noah Harari, o autor israelense de best-sellers como “Sapiens” e “Homo Deus”, se mostrou muito mais pessimista.

“Não será mais preciso enviar soldados, se houver dados suficientes disponíveis sobre um determinado país (...) As novas tecnologias oferecerão rapidamente a grandes empresas a possibilidade de ‘piratear’ seres humanos”. 

AFP, tradução de Paulo Migliacci

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.