Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Economia dos EUA fica abaixo da meta de 3% de Trump em 2019

Ritmo crescimento no quarto trimestre foi moderado graças a uma conta de importação menor

Washington | The Wall Street Journal

economia dos Estados Unidos cresceu no ritmo mais lento desde 2016 no ano passado, depois de registrar um avanço de 2,1% ao ano no quarto trimestre. 

O PIB (Produto Interno Bruto) —o valor de todos os bens e serviços produzidos pela economia— subiu num índice anual ajustado pela inflação e sazonalmente de 2,1% de outubro a dezembro, informou o Departamento de Comércio na quinta-feira (30), com crescimento anual de 2,3% em 2019.

Economistas consultados por The Wall Street Journal esperavam uma taxa de crescimento de 2,1% no quarto trimestre. O crescimento no terceiro trimestre também foi de 2,1%.

A expansão econômica no último trimestre refletiu uma alta do comércio, à medida que as exportações aumentaram e as importações caíram acentuadamente. O ritmo dos gastos do consumidor diminuiu e o investimento empresarial caiu pelo terceiro trimestre consecutivo, enquanto o investimento residencial se acelerou.

O presidente Donald Trump desembar em Nova Jersey, Estados Unidos - Leah Millis/Reuters

Comparada com o quarto trimestre de 2018, a produção aumentou 2,3%, em linha com o ritmo médio que predominou na maior parte da expansão iniciada em meados de 2009 e o ritmo mais lento desde 2016.
Ainda assim, a maioria dos economistas diz que as perspectivas para 2020 são positivas, dado o forte mercado de trabalho nos EUA, a recente reaproximação na disputa comercial com a China e um ambiente de baixa taxa de juros.

O Federal Reserve (banco central) cortou as taxas três vezes a partir do segundo semestre de 2019. Ele manteve a taxa de juros de referência inalterada na quarta-feira e confirmou sua posição de não aplicar mudanças.

Os gastos do consumidor representam mais de dois terços da produção econômica total, e o relatório de quinta-feira mostrou que os consumidores gastaram menos no quarto trimestre. Os gastos com consumo pessoal aumentaram num ritmo anual de 1,8%, após um aumento de 3,2% no terceiro trimestre e de 4,6% no segundo.

Duas categorias voláteis, comércio e estoques, tiveram um impacto enorme no número do crescimento divulgado no quarto trimestre. Os estoques privados subtraíram 1,1 ponto percentual da taxa de crescimento do quarto trimestre.

O Departamento de Comércio informou que a queda refletiu estoques menores no varejo, principalmente nas concessionárias de veículos. O declínio ocorreu quando a greve nacional do sindicato dos trabalhadores em montadoras de carro na General Motors durou a maior parte de outubro.

O comércio também teve um papel importante no desempenho do quarto trimestre. As exportações líquidas adicionaram 1,48 ponto percentual à taxa de crescimento de 2,1% do trimestre, a maior contribuição desde o segundo trimestre de 2009. As exportações aumentaram a um índice anual de 1,4% e as importações caíram num ritmo de 8,7%, provavelmente refletindo gastos mais lentos e as tarifas recentes sobre produtos de consumo da China.

Uma medida importante dos gastos das empresas —investimento fixo não residencial, refletindo os gastos em construção comercial, equipamentos e produtos de propriedade intelectual como software— caiu a uma taxa de 1,5%, refletindo um declínio no investimento em estruturas e equipamentos.

As medidas da demanda subjacente foram um pouco abafadas. Após eliminar as categorias voláteis de comércio, estoques e gastos do governo, as vendas a compradores privados domésticos aumentaram a uma taxa anual de 1,4% —um ritmo mais lento que o número total de crescimento do PIB.

O setor imobiliário mostrou força pelo segundo trimestre consecutivo. O investimento fixo residencial aumentou 5,8% no quarto trimestre. Os gastos do governo aumentaram a um índice anual de 2,7% no trimestre.

A expansão atual, que começou em meados de 2009, tornou-se a mais longa já registrada em julho. Ainda assim, o ritmo médio de crescimento não conseguiu subir muito acima de 2%, mais lento que a taxa de 2,9% durante a expansão em 2001-2007 e a taxa de 3,6% do início de 1991 a 2001.

 

O corte de impostos no valor de US$ 1,5 trilhão aprovado pelo Congresso no final de 2017 fazia parte do plano do presidente Donald Trump de impulsionar o crescimento econômico a uma taxa de crescimento anual acima de 3%, que marcou expansões robustas anteriores.

O crescimento anual ficou ligeiramente aquém desse nível em 2018, imediatamente após a redução dos impostos, nem foi alcançado em 2019 diante da disputa comercial com a China e uma economia global fraca.

O relatório de quinta-feira sugere que a economia dos EUA está voltando a um ritmo lento, mas constante.

O Federal Reserve espera que o crescimento econômico moderado continue, disse o presidente Jerome Powell na quarta-feira (29). Ele expressou um otimismo cauteloso sobre as perspectivas econômicas globais em sua entrevista coletiva, dizendo que indicadores recentes sugerem que a manufatura pode ter atingido o fundo após um período fraco recente.

Enquanto o acordo comercial preliminar do governo Trump com a China, assinado no início deste mês, diminuiu um pouco as tensões comerciais, outros fatores poderão prejudicar o crescimento à medida que 2020 avança.

Boeing interrompeu a produção do problemático avião 737 Max neste mês, o que, segundo economistas, representa um risco para o crescimento econômico no primeiro trimestre. É o maior exportador de manufatura dos EUA e um dos principais empregadores privados do país.

A desaceleração do crescimento na China e um surto de coronavírus que se originou lá também poderão prejudicar a recuperação econômica que muitos esperavam para este ano.

 
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