Fernández pede a argentinos que não solicitem salários excessivos

Presidente da Argentina fechou acordo com empresários, sindicatos e líderes sociais para rever pagamentos e preços de produtos

Buenos Aires | AFP

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, pediu aos trabalhadores do país que não façam "solicitações excessivas" de salários, após negociar com empregadores uma estratégia conjunta para impulsionar a indústria e o emprego no país.

Para remediar a pior crise econômica do país nos últimos 17 anos, Fernández promoveu um pacote de medidas econômicas emergenciais, e na semana passada anunciou um acordo com empresários, sindicatos e líderes sociais para rever os salários e preços de produtos.

Eu quero "pedir aos que trabalham que levemos em conta a situação [econômica do país], nem façamso muitos pedidos excessivos porque isso repercute no resultado da economia", disse Fernández à Rádio 10.

Estamos "tentando garantir um aumento mínimo", disse o presidente, ao garantir que esta semana mesmo o percentual será conhecido.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, e a vice, Cristina Kirchner, em Buenos Aires, no início de dezembro - Martin Zabala/Xinhua

​Carlos Acuña, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho, disse que cada setor terá que negociar separadamente seu aumento salarial e que "não estamos todos na mesma situação econômica", segundo o site El Destape.

Fernández também tem pressionado as empresas para não aumentarem os preços de produtos, argumentando que tendem a estabelecer preços só com expectativas econômicas negativas, o que causaria inflação.

"Na Argentina, a demanda cai acentuadamente e os preços sobem. Há algo errado", afirmou o presidente.

Como resultado, produtores e comerciantes de alimentos concordaram em absorver boa parte dos 21% cobrados de IVA (Imposto de Valor Agregado) cobrados de alimentos básicos.

O preço do leite não aumentará, mas o restante da refeição terá "um aumento médio entre 7% e 10%", disse Fernández.

Os preços da gasolina foram congelados, enquanto o governo avalia aumentar impostos dos setores de exportação como o campo, mineração e petróleo.

A Argentina está passando por uma recessão econômica desde o segundo trimestre de 2018, com uma inflação de 48,3% em novembro e uma depreciação de 38% da moeda nesse período.

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