Grandes empresas restringem viagens à China com ameaça do coronavírus

Apple, Facebook e HSBC estão na lista; funcionários da Vale na China estão em regime de trabalho remoto

Rio de Janeiro e Xangai | Reuters

A Vale, o Facebook e outras empresas internacionais, incluindo LG Electronics e HSBC, estão restringindo viagens de funcionários para a China.

O número de mortos pelo coronavírus ultrapassou 100 pessoas nesta terça-feira (28) e já chegou a 18 países.

A Vale resolveu suspender por tempo indeterminado as viagens de negócios para a país asiático, seu principal cliente, e também da China para qualquer unidade da companhia, como parte das medidas de apoio à prevenção ao vírus em seus escritórios.

Os empregados da Vale na China estão em regime de trabalho remoto, acrescentou a companhia. As atividades da empresa em portos asiáticos seguem normalmente.

Companhias aéreas também estão cancelando voos e ajustando horários, à medida que um número crescente de países eleva os alertas de viagem não apenas para a província de Hubei, onde eclodiu o novo coronavírus, mas também para o resto da China.

Retrato de quatro pessoas sentadas em um vagão de metrô; todas usam máscaras no rosto e olham para o celular
Passageiros usam máscaras no metrô na província de Xangai - Zhang Bowen - 28.jan.2020/Xinhua

O maior banco da Europa, o HSBC, proibiu sua equipe de viajar para Hong Kong por duas semanas e para a China até um novo aviso, segundo um memorando interno visto pela agência Reuters.

"Estamos pedindo às pessoas que viajaram para a China continental ou que entraram em contato com alguém que viajou para lá ou passou pela província de Hubei nos últimos 14 dias que fiquem em casa por um período de 14 dias corridos", disse uma porta-voz do banco.

O americano Goldman Sachs impôs medidas semelhantes, de acordo com um memorando também visto pela Reuters.

A Starbucks indicou que deve ser afetada pelo surto de coronavírus na China, uma vez que fechou mais de metade de suas lojas no país e ajustou horários de funcionamento.

A maior rede de cafeterias do mundo afirmou que revisará suas previsões para 2020 assim que for possível estimar o impacto do surto. Até o final do ano passado, a Starbucks operava 4.292 lojas no país asiático.

As vendas em restaurantes abertos há pelo menos 13 meses cresceram 5% no trimestre encerrado em 29 de dezembro.

Analistas esperavam que as vendas nessas mesmas lojas registrassem crescimento de 4,4%, segundo dados da Refinitiv.

O Facebook foi a primeira grande empresa dos EUA a anunciar uma suspensão de viagens após o alerta do governo dos EUA na segunda-feira (27).

A empresa pediu aos funcionários que interrompessem as viagens não essenciais à China e disse aos funcionários que haviam viajado para lá para trabalhar em casa.

"Com muita cautela, tomamos medidas para proteger a saúde e a segurança de nossos funcionários", informou a empresa.

A fabricante sul-coreana de eletrodomésticos LG proibiu completamente as viagens à China e aconselhou os funcionários em viagens de negócios no país a voltarem para casa o mais rápido possível.

A Honda afirmou que recomenda que os funcionários evitem viajar para o país, enquanto a Nissan planeja evacuar sua equipe japonesa e suas famílias em Wuhan —epicentro do coronavírus e um importante centro automotivo— por meio de um voo fretado pelo governo.

Crescimento da Apple em risco

O plano da Apple de aumentar a produção do iPhone em 10% no primeiro semestre deste ano pode ter um obstáculo no caminho, à medida que o surto de coronavírus se espalha pela China, informou o Nikkei Asian Review nesta terça (28).

A empresa pediu a seus fornecedores, muitos dos quais possuem centros de fabricação na China, que produzissem até 80 milhões de iPhones no primeiro semestre de 2020, informou o Nikkei, citando pessoas familiarizadas com os planos da empresa.

Até agora, o surto de coronavírus matou mais de 100 pessoas e infectou mais de 4.500 na China, deixou dezenas de milhões sem poder viajar durante o feriado do Ano Novo Lunar e abalou os mercados globais.

As ações da Apple subiram cerca de 86% em 2019, superando uma alta de 29% no índice S&P 500. As ações da companhia fecharam em queda de quase 3%, a 308,95 dólares na segunda-feira, com temores de que o coronavírus derrube ações de chips e tecnologia dos EUA.

Em outubro passado, o Nikkei informou que a Apple pediu a seus fornecedores que aumentassem a produção de modelos do iPhone 11 em até 8 milhões de unidades, ou cerca de 10%, sugerindo que a demanda pelas versões lançadas recentemente de seu smartphone principal estava aumentando.

 
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