Megaleilão de rodovias de SP deve atrair apenas operadores tradicionais, dizem especialistas

Arteris, CCR, Ecorodovias e o fundo Pátria, que já têm ativos no estado, estão entre os favoritos

São Paulo

O governo de São Paulo vai leiloar nesta quarta (7) o maior lote de rodovias já concedido no país. São 1.273 quilômetros com trechos de 12 estradas estaduais que serão operados pelos próximos 30 anos pelo vencedor do certame. As vias ligam as cidades de Piracicaba e Panorama.

Para advogados e analistas ouvidos pela reportagem, o lote deverá ser disputado apenas por grandes operadores que já atuam no país, apesar dos esforços da gestão Doria para atrair competidores estrangeiros.

Arteris, CCR, Ecorodovias e o fundo Pátria, que já têm ativos no estado, estão entre os mais cotados para disputar a concessão, com claro favoritismo da primeira concessionária.

A Arteris é a empresa que mais conhece a região, uma vez que controla a Centrovias, que administra desde 1998 um trecho de 220 quilômetros que está no lote da Piracicaba-Panorama.

Para Rodrigo Bertoccelli, sócio do escritório Felsberg, o Pátria —controladora da Entrevias, que administra sete estradas paulistas, e dona da Cart, que opera a Raposo Tavares— pode participar. “Mas mais para demonstrar um apetite crescente por ativos rodoviários”, diz.

Segundo ele, o ativo poderia ser “bem interessante” para a CCR porque a concessão da Novadutra está no fim, e é altamente rentável. “A empresa poderia ter um bom fluxo de caixa garantido se levasse a concessão.”

Para atrair empresas de fora, o governo paulista lançou um edital em inglês e, no texto, previu mecanismos que mitigassem eventuais riscos cambiais de um operador estrangeiro.

“Isso em tese ajudaria a atrair mais empresas, mas neste lote especificamente o que temos visto são empresas que até se interessam inicialmente, fazem consultas à Artesp [agência reguladora estadual] sobre pontos do edital, mas que desistem de participar no meio do caminho”, diz Letícia Queiroz, do escritório Queiroz Maluf.

Pessoas familiarizadas com a licitação afirmam que é o caso de empresas como a CCCC e da espanhola Acciona, que teriam esboçado interesse nos ativos, mas não devem formalizar propostas no certame.

“Uma crítica comum entre os operadores é que o lote ficou muito grande. Na composição, o governo mesclou bons ativos, que rodam e geram receita, anexados com sobras. Com isso, ficou meio desajeitada e o mercado tem reagido negativamente a isso, porque reduz a possibilidade de sinergias operacionais, por exemplo”, afirma.

Para Rodrigo de Campos, sócio do Porto Lauand e ex-diretor da Artesp, só com a participação de operadores tradicionais já garante competitividade ao leilão.

“O investimento alto exigido, de R$ 14 bilhões, reduz o número de interessados, demanda fôlego financeiro. Mas é melhor atrair poucos operadores sólidos que muitos aventureiros”.

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