Analistas recomendam cautela em relação a Bolsa; veja dicas

É preciso calma e cautela para poder superar momentos de turbulência nos mercados, dizem analistas

São Paulo

Em dia de forte turbulência na Bolsa de Valores brasileira, investidores precisam ter sangue frio para decidir eventuais vendas ou compras de ações, afirmam especialistas. 

Nesta quarta (26), a Bolsa caiu 7%, a primeira queda expressiva desde a grande migração de pequenos investidores para o mercado de ações. Já são mais de 1,8 milhão de CPFs na Bolsa brasileira. Em 2018, eram 813 mil.

Em relatórios, corretoras já começam a alertar seus clientes para que pensem em prazos maiores para seus investimentos.

“Hoje é um grande aprendizado para muitos investidores, que saberão o que é gestão de risco, diversificação de carteira e como montar uma carteira condizente com seu perfil de investidor”, afirmou Thiago Salomão, da corretora Rico Investimentos, em relatório.

 

Devo vender tudo ou devo comprar mais ações?

Antes de tomar qualquer decisão, o investidor deve estar atento ao seu perfil: conservador, moderado ou arrojado. Também precisa estar atento aos objetivos que quer alcançar com seus investimentos. 

Analistas apontam que o percentual recomendado de renda variável na carteira não deve se alterar conforme o cenário. Eventuais ajustes devem ser feitos dentro do percentual recomendado e apenas caso a reserva de emergência —seis meses de gastos aplicados em renda fixa de fácil resgate— já esteja contemplada.

Caso ainda haja espaço para comprar mais ações dentro do percentual adequado ao perfil, a forte queda das ações nesta quarta pode ser uma oportunidade de compra. Já se o investidor quiser se desfazer das ações para tentar diminuir sua exposição ao risco, a venda dos papéis pode ser uma opção desde que não haja prejuízo.

“Há risco de vender barato se o psicológico falar mais alto. Nessas horas, vale a máxima de comprar enquanto todo mundo vende e vender enquanto compram. Hoje é como se as ações estivessem em promoção”, afirma Eduardo Belotti, presidente do aplicativo Real Valor.

 

Vale a regra de compra na baixa para vender na alta?

Depende. “Momentos como esse podem levar a fortes baixas nos papéis no curto prazo, mas empresas com bons fundamentos devem se manter sólidas no longo prazo”, diz XP Investimentos em relatório.

Para os que têm mais resistência para lidar com o ambiente de risco e dinheiro extra para investir, o momento pode ser favorável. Mas atenção: os especialistas alertam que, nesse caso, a estratégia deve ser de longo prazo.

Ou seja, a queda do Ibovespa abriria espaço para compra de ações, a preços mais baixos, de empresas com boas projeções de crescimento nos próximos anos.

O analista Thiago Salomão, da Rico, afirmou em relatório, no entanto, que a compra de ações é um movimento muito arriscado para quem deseja retorno de curto prazo, pois, dentro do cenário atual, não é possível saber até onde pode ir a queda no mercado acionário.

O que fazer em dias de forte queda?

"A primeira orientação em dias como esse é não entrar em pânico e acabar tomando atitudes de curto prazo. Para quer investir a longo prazo, dias de forte queda como hoje podem ser boas chances para se posicionar”, afirma Eduardo Cavalheiro, gestor na Rio Verde Investimentos. 

“Não é adequado que o investidor, especialmente o pessoa física, entre na Bolsa com um horizonte de tempo pequeno. Então, em volatilidades como essa é preciso pensar no longo prazo e ter calma. Qualquer ação num espectro curto de tempo pode se mostrar prematura”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Muitos analistas recomendam, inclusive, não operar em dias de forte queda. Além de correr risco de perder dinheiro, o investidor pode não conseguir operar, por falhas nos sistemas das corretores com a alta demanda do mercado. Nesta quarta, a plataforma da XP e da Clear ficaram instáveis.

“As falhas prejudicam demais, tanto a pessoa que queria vender no começo do dia para perder pouco, como a pessoa que quer comprar na baixa. É ruim para até para a corretora, que ganha por taxa de corretagem a cada operação”, diz Belotti, da Real Valor.

Posso usar minhas economias se decidir comprar ações?

Depende. Ser for dinheiro destinado a outro fim, como a compra de imóvel, seria arriscado. Os especialistas afirmam que a Bolsa brasileira pode continuar instável no curto prazo, diante do ambiente mais incerto para o crescimento internacional.

​Assim, o recurso utilizado para a compra de ações neste momento deve vir de um eventual caixa extra, que não está reservado a outro fim no curto prazo.

É hora de diversificar para proteger o investimento?

Sim. Uma estratégia importante nos momentos de instabilidade é a diversificação. Nesse caso, um caminho é aplicar simultaneamente em diferentes frentes, como fundos cambiais, de ouro, renda fixa e de liquidez diária.

Os especialistas dizem que outra atitude importante diante das incertezas é colocar o dinheiro em investimentos com grande liquidez (que pode ser sacados sem restrições), como fundos DI pós-fixados de resgate imediato.

O responsável de alocação da XP Investimentos, Felipe Dexheimer afirma, no entanto, que a busca por ativos de segurança neste momento não protegerá o investidor da perda de capital que ocorreu em pregões passados. Nesse sentido, os ativos serviriam como proteção futura, para novas volatilidades.

Vale lembrar que os ativos de segurança como ouro e o dólar, tendem a se valorizar em dias de fortes quedas na Bolsa. O ouro, por exemplo, subiu 2,7% e foi a R$ 240,89 a grama. Já o dólar teve alta de 1,3% e foi a R$ 4,45.

“Agora não adianta correr atrás de proteção, provavelmente é tarde demais para fazer alguma coisa. Por isso é importante sempre ter uma carteira diversificada e entender, em momentos como esse, que não é o dinheiro todo que está caindo 7%”, disse. 

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