Em greve, petroleiros iniciam vigília em frente à sede da Petrobras

Categoria tenta reverter demissões em fábrica de fertilizantes no Paraná

Rio de Janeiro

Um grupo de petroleiros paranaenses decidiu acampar em frente à sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro, em protesto contra as demissões previstas com o fechamento da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados. Dentro do edifício, sindicalistas mantém uma ocupação, em tentativa de forçar negociações.

Parte da categoria está em greve desde o início da madrugada de sábado (1). Eles pedem que a Petrobras recue no projeto de fechar a Araucária Nitrogenados e questionam medidas adotadas pela empresa na gestão dos trabalhadores.

De acordo com a FUP (Federação Única dos Petroleiros), há mobilizações em 24 unidades do Sistema Petrobras em 13 estados, incluindo refinarias, terminais e plataformas de petróleo. Eles calculam que 14,7 mil pessoas aderiram ao movimento.

 

A estatal diz, porém, que a paralisação não afeta suas operações. "O movimento grevista iniciado no último sábado não gera impactos na produção nem no abastecimento do mercado", afirmou a empresa, em comunicado.

Durante o fim de semana, a Petrobras tentou na Justiça ordem para retirar os sindicalistas que ocuparam uma sala de reunião na sexta, mas o pedido foi negado pela juíza Rosane Ribeiro Catrib, da Justiça do Trabalho. Para ela, a ocupação "é um sinal de resistência, próprio do jogo democrático".

"O que se vê é a legítima atuação do sindicato no sentido de persuadir a empresa à negociação. Negociação frustrada após uma reunião para a qual foram convidados e não saíram porque, como já dito, permanecem em mesa para negociar", escreveu a juíza.

Os sindicalistas acusam a empresa de ter cortado o fornecimento de energia do andar onde estão mobilizando, o que afetou também o suprimento de água. Dizem ainda que a empresa impediu a entrada de comida para a ocupação.

A energia teria sido restabelecida após a decisão da juíza Catrib. Nesta segunda, o gerente executivo de Recursos Humanos da estatal, Cláudio Costa, se reuniu com os grevistas e garantiu acesso a energia, água e alimentação, segundo o diretor da FUP Deyvid Bacelar.

Não houve, porém, discussões sobre os pontos questionados pelos grevistas. Bacelar diz que a FUP propôs por fim ao movimento caso a empresa suspenda as demissões e abra negociações sobre os empregados de Araucária. Segundo ele, porém, a empresa preferiu ir ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) questionar a greve. "

Na manhã desta segunda, um grupo de trabalhadores da Araucária Nitrogenados chegou ao Rio para protestar em frente à sede da companhia. Eles decidiram manter uma vigília na calçada da Avenida Chile, onde está o edifício. Há doze dias, há uma vigília também na frente da fábrica, no município de mesmo nome, no Paraná.

Os sindicatos reclamam que o fechamento da fábrica pode resultar em cerca de mil demissões. Há 12 dias, um grupo de trabalhadores ocupa a unidade. 

A Petrobras decidiu sair do setor de fertilizantes e chegou também a suspender as atividades em outras fábricas, na Bahia e em Sergipe, que depois foram arrendadas. A unidade de Araucária chegou a ser negociada com a russa Acron, mas o negócio não foi concretizado.

A empresa alega que a unidade é deficitária e, por isso, decidiu pela hibernação - interrupção das atividades com manutenção de equipamentos - enquanto espera de interessados pelo negócio.

Os petroleiros vêm ameaçando fazer greve desde meados do ano passado, quando o acordo coletivo de trabalho era mediado pelo TST. Na época, o impasse era visto pelo governo como justificativa para uma greve política, contra a venda de ativos da estatal.

Após acordo no tribunal, a FUP lançou a campanha "Privatização da Petrobras: isso é da sua conta", contra a venda de ativos da companhia. A entidade defende que o processo trará prejuízos à empresa e ao país. A entidade representa 13 sindicatos de petroleiros - outros 5 estão ligados à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros).

A Petrobras diz entender que o movimento é "descabido" e afirma ter tomado providências para garantir a produção de petróleo, gás e combustíveis. 

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