EUA acrescentam acusações de conspiração criminosa contra a Huawei

Americanos invocam lei associada a combate ao crime organizado para acusar a companhia chinesa

Patricia Hurtado Alyza Sebenius Todd Shields
Nova York | Bloomberg

Os Estados Unidos aumentaram a aposta em sua batalha contra a Huawei, invocando uma lei tradicionalmente associada ao combate ao crime organizado para acusar a companhia chinesa de se envolver em décadas de roubo de propriedade intelectual.

A Huawei já estava enfrentando acusações criminais de que violou as sanções dos Estados Unidos contra o Irã e a Coreia do Norte. As novas acusações representariam penalidades potencialmente mais severas para a maior fabricante mundial de equipamento de telecomunicações, em caso de condenação.

A empresa afirma o Departamento de Justiça dos EUA tenta, com essa nova acusação, provocar danos na sua reputação e em seus negócios por razões competitivas.

A acusação de roubo é parte de um indiciamento reformulado contendo 16 acusações contra a companhia e vem da “prática supostamente duradoura da Huawei de usar fraude e trapaça para se apropriar indevidamente de tecnologias sofisticadas pertencentes às suas contrapartes nos Estados Unidos”, de acordo com a procuradoria pública federal dos Estados Unidos em Brooklyn, Nova York.

"As novas acusações carecem de fundamento e estão baseadas principalmente em disputas cíveis recicladas dos últimos 20 anos que já foram resolvidas, litigadas e, em alguns casos, recusadas por juízes e júris federais”, afirmou a Huawei, em nota.

Os Estados Unidos já haviam proibido o uso de tecnologia da empresa no país e acusado a Huawei de ajudar Pequim em sua espionagem. A Huawei, por sua vez, acusa o governo dos EUA de orquestrar uma campanha para intimidar seus empregados e de lançar ataques cibernéticos para infiltrar sua rede interna. As acusações agravaram as tensões entre a Huawei e o governo Trump.

Enquanto o caso criminal contra a Huawei avança, o processo contra Meng Wanzhou, sua vice-presidente financeira, continua parado. Ela está contestando sua extradição para os Estados Unidos, de Vancouver, Canadá, onde foi detida a pedido dos americanos no ano passado.

Meng é acusada de fraudar bancos ao fazer uma apresentação a um dos grandes parceiros bancários de sua companhia e de mentir sobre as transações de negócios da Huawei no Irã, em violação às sanções impostas pelos Estados Unidos.

O processo é EUA vs. Huawei Technologies, 18-cr-457, no tribunal distrital federal dos Estados Unidos para o distrito leste de Nova York (Brooklyn).
 
Bloomberg, tradução de Paulo Migliacci

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