Farm bate recorde de vendas nos EUA e quer ser primeira multinacional da moda

Estão confirmadas lojas em Nova York, Texas e Los Angeles

Rio de Janeiro

Quando a Farm fechou todas as suas lojas após o natal passado, adesivando as vitrines com o aviso de que os estoques haviam acabado, o mercado se perguntou se não era mais um lance de marketing da grife carioca que mais cresceu nos últimos anos.

“Não foi”, jura o fundador e sócio do grupo Soma (Animale, Farm, A.Brand, Maria Filó e Foxton), Marcello Bastos. “Fechamos o ano com resultado recorde e lançamos a coleção que mais vendeu na história da marca.”

Os números ainda não são oficiais e o grupo, fechado, não divulga receitas, mas o empresário estima que só a Farm faturou R$ 660 milhões e, para este ano, estão previstas vendas de R$ 760 milhões. No ano passado, a marca abriu 20 lojas, o maior movimento dos últimos cinco anos e que fez a marca saltar para 50 pontos próprios.

Desfile de verão 2018-19 da grife carioca Animale no Museu do Amanhã, no Rio - Bruno Ryfer
Desfile de verão 2018-19 da grife carioca Animale no Museu do Amanhã, no Rio - Bruno Ryfer - Divulgação

Agora, o plano de expansão inclui para esse ano outros três pontos de venda nos Estados Unidos, onde a marca já está posicionada desde o ano passado no bairro do Soho, em Nova York, e em Los Angeles. Estão confirmados outros três pontos, um no Brooklyn, também em Nova York, um no Texas e outro em Los Angeles.

“Saímos do zero a zero no mercado americano e começamos a lucrar já no final do ano. Só em Nova York estimávamos vendas de US$ 190 mil dólares no período do Natal, que não tem um movimento grande de consumo como acontece no Brasil, e fechamos com US$ 220 mil.”

O maior ativo da marca não são exatamente as roupas, mas as estampas impressas nelas. A grife talvez seja a única do mercado que mantém uma equipe de arte para estamparia maior do que a de estilistas, que pensam o desenho das peças.

“Nossa ideia é ser a primeira multinacional de moda do país. Não há marcas brasileiras internacionalizadas como a nossa, e isso é triste”, diz o empresário.

À expertise das estampas a grife somou um cuidado com o chamado “marketing da experiência”, quando começou a apostar em lojas com serviços, estilo, cheiro e, claro, cores, que não eram praxe do mercado.

“Isso já nos fez reconhecidos no hemisfério norte. Nos Estados Unidos, não há marcas posicionadas como a nossa e o mercado já enxerga e aposta nisso”, diz Bastos.

Ele cita como exemplo a grife alemã Adidas, que teve “até reunião de conselho” para estender a parceria que tem com a marca para o lançamento de produtos estampados.

As coleçõs Farm X Adidas Originals, a primeira de uma marca brasileira com a esportiva em nível mundial, agora se concentra apenas em itens esportivos porque a Adidas Originals não podia mais, por uma questão de modelo de negócio, ampliar a parceria.

Está previsto lançamento de uma coleção exclusiva para o mercado asiático, que, segundo Bastos, é mal servido em peças estampadas e reagiu bem às primeiras colaborações. (PD)

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