Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Google negocia pagamento por notícias a empresas jornalísticas

Conteúdos licenciados fariam parte de um novo serviço de notícias

Nova York | The Wall Street Journal

O Google, do grupo Alphabet, está negociando com os provedores de conteúdo para pagar uma taxa de licenciamento pelo conteúdo que fará parte de um novo produto noticioso, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto, uma decisão que representaria uma mudança no relacionamento entre o gigante das buscas e as organizações noticiosas.

As negociações estão no começo e ainda não se sabe se um acordo será atingido, disseram as fontes. A maioria dos provedores de conteúdo que estão conversando com o Google é de fora dos Estados Unidos, e eles incluem companhias da França e de outras partes da Europa, segundo as fontes.

Os termos financeiros dos possíveis acordos de licenciamento que estão em discussão não foram revelados. O foco das negociações é licenciar conteúdo que será publicado como parte de um produto gratuito do Google, disse uma das fontes, embora os detalhes ainda estejam sendo decididos.

Acordos de licenciamento entre o Google e as organizações noticiosas para cessão de conteúdo ao produto noticioso do primeiro representariam um marco histórico para os provedores de conteúdo, que há muito buscam remuneração por parte do gigante das buscas.

Pessoas no pavilhão do Google na CES 2020, em Las Vegas
Pessoas no pavilhão do Google na CES 2020, em Las Vegas - Mario Tama/AFP

O Google encaminha muito tráfego aos sites de organizações noticiosas a cada mês, por meio de seu serviço de buscas, mas até agora vinha resistindo a pagar diretamente aos provedores por seu conteúdo.

O Google seria o terceiro gigante da tecnologia a avançar na direção de pagamentos aos provedores de conteúdo. No ano passado, o Facebook anunciou que passaria a pagar organizações noticiosas —em alguns casos valores de milhões de dólares anuais— para licenciar o uso de suas manchetes e de resumos de suas reportagens para um serviço noticioso.

A Apple no ano passado lançou um app de notícias, o Apple News, que por US$ 9,99 ao mês oferece acesso a artigos de centenas de revistas, entre as quais Vogue, QG e Sports Illustrated. Além do The Wall Street Journal, o The Los Angeles Times e o Toronto Star estão entre os jornais da América do Norte que aderiram a esse serviço.

As negociações com o Google surgem em meio à pressão de executivos de organizações noticiosas de fora dos Estados Unidos —especialmente na França— por pagamento pelo Google de uma taxa de licença para exibir seu conteúdo noticioso nos resultados de seu serviço de busca.

O Google anunciou em setembro que não pagaria a organizações noticiosas europeias pelo direito de incluir seu conteúdo em resultados de busca, o que causou reação adversa dos provedores de conteúdo que esperavam remuneração, depois da aprovação de uma nova lei de direitos autorais na União Europeia.

Algumas organizações noticiosas afirmaram recentemente que desenvolveriam agregadores de notícias próprios, a fim de concorrer com gigantes da tecnologia como o Google, Facebook e Apple.

A News Corp –companhia controladora da Dow Jones, proprietária do The Wall Street Journal— no começo do ano lançou o site Knewz, que oferece manchetes direcionadas extraídas de diversas fontes de notícias. A CNN, parte do grupo AT&T, anunciou no ano passado que estava desenvolvendo o Newsco, um serviço agregador de notícias cujo objetivo é concorrer com os produtos noticiosos do Facebook e da Apple.

As organizações noticiosas pressionam há muito tempo pelo pagamento de licenças por parte dos gigantes da tecnologia que exibem conteúdo de seus produtos. As companhias de tecnologia resistiram a esses apelos por anos, preferindo fazer doações a organizações noticiosas por meio de suas divisões filantrópicas ou oferecer compensações indiretas na forma de tráfego ampliado de internet.

O Google e o Facebook vêm enfrentando críticas crescentes por seu papel na situação difícil que o setor noticioso enfrenta, já que eles agora abocanham boa parte da receita publicitária que costumava pertencer aos jornais. Combinados, Facebook e Google devem ficar com 61% de toda a receita de publicidade digital nos Estados Unidos este ano, de acordo com o grupo de pesquisa eMarketer.

Quando o Facebook lançou seu serviço noticioso, no ano passado, o presidente-executivo da companhia, Mark Zuckerberg, disse que a decisão do gigante da mídia social de pagar os veículos noticiosos que participavam do serviço era um modelo que as demais companhias de internet deveriam seguir.

“Creio que toda plataforma de internet tenha a responsabilidade de ajudar a bancar e a sustentar as organizações noticiosas”, ele disse em outubro em um evento em Nova York, no qual discutiu o serviço noticioso do Facebook com Robert Thompson, presidente-executivo da News Corp, a controladora do The Wall Street Journal. “Esperamos que outros sigam o modelo que estamos ajudando a estabelecer”.

Tradução de Paulo Migliacci

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