Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Presidente do Credit Suisse renuncia em meio a escândalo de espionagem

Após quatro anos e meio de gestão, Tidjane Thiam deixa banco suíço

Londres | The Wall Street Journal

Tidjane Thiam, presidente do Credit Suisse Group, deixou o banco suíço, sucumbindo a meses de pressão por um escândalo de espionagem que engolfou a instituição financeira suíça recentemente.

Contratado em 2015 como um profissional vindo de fora para sacudir o banco, ele agora será substituído pelo veterano financista suíço Thomas Gottstein, uma decisão que indica que o banco, uma grande instituição cuja especialidade é a gestão de patrimônio de clientes ricos, está voltando às suas raízes menos vistosas.

CEO do Credit Suisse, Tidjane Thiam
Tidjane Thiam, presidente do Credit Suisse Group, deixou o banco suíço após escândalo de espionagem - Moritz Hager/REUTERS

A decisão marca o final de quatro anos e meio de gestão de Thiam à frente do segundo maior banco suíço pelo critério de ativos. Ele executou uma reestruturação abrangente, reduzindo drasticamente as atividades do Credit Suisse como banco de investimento e reforçando os negócios de gestão de patrimônio, para atender aos ricos do planeta.

Antes presidente da seguradora britânica Prudential, a reforma comandada por Thiam lhe valeu elogios dos maiores investidores do Credit Suisse, mas seu mandato foi marcado por tensões dentro do banco e por um relacionamento às vezes incerto com o presidente do conselho, Urs Rohner. O escândalo de espionagem reverberou pelo banco e na imprensa mundial nos últimos meses, e provou ser o golpe final.

O escândalo de espionagem surgiu em setembro, quando Iqbal Khan, ex-comandante da divisão de gestão internacional de patrimônio do Credit Suisse, confrontou um investigador que o estava seguindo em Zurique, gerando manchetes internacionais e uma investigação policial. O conselho do Credit Suisse contratou um escritório de advocacia externo para revisar a vigilância a Khan e, em 1º de outubro, o escritório revelou que ela havia sido ordenada pelo vice-presidente de operações do banco, que renunciou.

O escritório de advocacia disse não ter encontrado provas de que Thiam soubesse da vigilância.
Thiam deixou o banco apesar dos esforços de importantes acionistas, que esta semana divulgaram declarações públicas de apoio a ele. Temendo que Thiam fosse forçado a deixar o posto em uma reunião do conselho marcada para a quinta-feira, diversos acionistas expressaram apoio a ele, mas não conseguiram salvar seu emprego. David Herro, sócio da Harris Associates, que detém 8,42% das ações do banco, advertiu no começo da semana que agiria para destituir o presidente do conselho, Rohner, se este não apoiasse Thiam.

Na declaração que o banco divulgou na sexta-feira, Rohner disse que Thiam fez uma enorme contribuição ao banco desde que chegou, em 2015. “Sob a liderança de Tidjane, o Credit Suisse ao mesmo tempo reorientou nossa estratégia, restaurou nosso capital, reduziu nossos custos, reduziu os riscos de nossos negócios, promoveu a diversidade e engendrou um nível excepcional de cooperação entre as diversas divisões”. Rohner disse que ele e o conselho desejavam tudo de melhor a Thiam.

Severin Schwan, o principal conselheiro independente do banco, disse que Rohner havia liderado o conselho “de forma elogiável durante esse período turbulento”.

“Depois de deliberar cuidadosamente, o conselho foi unânime em suas ações, bem como em reafirmar apoio pleno ao seu presidente para que conclua seu mandato que dura até abril de 2021”, disse Schwan.

O banco anunciou que a renúncia de Thiam havia sido aceita na reunião do conselho quinta e que ele deixaria o posto depois de apresentar os resultados anuais do banco na semana que vem. A instituição não ofereceu motivos para sua saída, e indicou Gottstein, que comanda suas operações bancárias na Suíça, para sucedê-lo.

Se um comunicado divulgado pelo banco, Thiam repetiu comentários anteriores de que ele não sabia da vigilância sobre dois executivos do banco no ano passado. Mas disse lamentar que tivesse acontecido e que isso nunca deveria ter sido tentado.

“Isso sem dúvida perturbou o Credit Suisse e causou ansiedade e mágoa”, disse Thiam.

As ações do banco chegaram a cair 5% nesta sexta-feira (7).

A saída de Thiam não pegou de surpresa os empregados do Credit Suisse, de acordo com pessoas do banco. O escândalo de espionagem vinha se arrastando há semanas e “algo tinha de acontecer”, já que o banco não podia continuar operando sob uma nuvem de controvérsia, de acordo com um empregado.

Embora o escândalo de espionagem tenha sido o gatilho para a saída de Thiam, ele também estava enfrentando desafios em outras frentes. Dentro do banco, Thiam é creditado por algum sucesso na restruturação da empresa. Mas de 2019 em diante, ele vinha enfrentando dificuldades para demonstrar uma estratégia que restaurasse o crescimento. A missão agora caberá a Gottstein. Pelo menos inicialmente, é provável que este conte com apoio generalizado no banco. Pessoas disseram que ele é “ótimo” e conhece as operações do banco, tanto como comandante do chamado banco universal do Credit Suisse, na Suíça, quanto como ex-codiretor de mercados de capital para a Europa, Oriente Médio e África. “Creio que o banco esteja procurando uma influência mais calmante”, sob o comando de Gottstein, disse uma das fontes.

O suíço Gottstein também compreende a cultura empresarial de seu país. Em outros lugares, o presidente-executivo em geral comanda as operações, mas na Suíça esse papel em geral cabe ao presidente do conselho. Não estava claro que Thiam compreendesse essa divisão de funções.

Uma segunda revisão da espionagem envolvendo o Credit Suisse foi realizada em dezembro, quando um jornal suíço reportou que mais um executivo havia sido seguido por investigadores no ano passado. O banco uma vez mais declarou que seu antigo vice-presidente de operações havia agido sem o conhecimento de Thiam.

Ainda assim, informações sobre outros supostos casos de vigilância e uma cultura de paranoia nos mais altos escalões do banco mantiveram Thiam sob os holofotes, e colocaram o conselho sob pressão para que agisse. A agência regulatória do mercado financeiro suíço abriu uma investigação em dezembro, afirmando que instruiria um auditor independente a investigar as implicações da vigilância para a governança corporativa do Credit Suisse.

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