Descrição de chapéu Coronavírus

Boeing interrompe temporariamente produção em fábrica nos EUA por coronavírus

Empresa diz que paralisação irá durar 14 dias a partir desta quarta (25)

Seatle | Reuters

A Boeing interromperá temporariamente a produção em sua fábrica do Estado de Washington devido à disseminação de coronavírus, informou a empresa nesta segunda-feira (23), após um movimento semelhante da rival europeia Airbus SE.

A Boeing acrescentou que a paralisação temporária das operações durará 14 dias a partir desta quarta (25).

As companhias aéreas clientes da Boeing adiaram a possibilidade de encomendar novas aeronaves e fazer adiantamentos antes da entrega, agravando uma longa crise iniciada com a suspensão do jato 737 MAX depois de dois acidentes.

O presidente-executivo da Boeing, Dave Calhoun, afirmou que a fabricante de aviões estava trabalhando em estreita colaboração com autoridades de saúde pública, clientes, fornecedores e outras pessoas que seriam afetadas pela suspensão temporária na produção.

"Lamentamos as dificuldades que isso causará a eles, assim como a nossos funcionários, mas é vital manter a saúde e a segurança de todos que apoiam nossos produtos e serviços, e ajudar no esforço nacional para combater a disseminação da Covid-19", disse Calhoun em comunicado.

A Boeing já instruiu muitos funcionários a trabalhar de casa. Ele disse que a fábrica e outros trabalhadores incapazes de trabalhar remotamente receberiam férias remuneradas durante o período planejado da suspensão.

Por enquanto, a paralisação não se aplica à fábrica do 787 Dreamliner na Carolina do Sul.

Calhoun disse a funcionários em um e-mail visto pela agência Reuters que "a luta para salvar vidas interrompendo a disseminação da Covid-19 em todo o mundo está exigindo ações que poucos de nós poderíamos ter imaginado algumas semanas atrás".

"Essa deve ser a principal prioridade para todos nós - individual e coletivamente - fazer o possível para ajudar a parar a pandemia agora", disse ele.

Embraer

A pandemia do coronavírus colocou em xeque o maior negócio da área aeroespacial da história do Brasil, a compra da divisão de aviação comercial da Embraer pela Boeing.

A fabricante norte-americana está reavaliando o acordo no qual gastaria US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões nesta sexta, 20) à luz do pedido de salvamento de US$ 60 bilhões (R$ 300 bilhões) que fez ao governo Donald Trump.

Segundo pessoas envolvidas com a negociação, a vontade americana é manter a compra e não há decisão final tomada, e o lado brasileiro não foi informado de qualquer mudança de planos. Mas a lógica na mesa é clara.

A Boeing já vinha enfrentando a maior crise de sua história com a paralisação da linha de produção de seu principal avião, o 737 MAX, devido a problemas técnicos que causaram dois acidentes, em 2019 e 2020, deixando 346 mortos.

Apesar de vários anúncios de retomada da vendas, a empresa progressivamente foi frustrada por autoridades aeronáuticas, e no começo deste ano parou a fabricação. Espera retomar o produto este ano, mas analistas têm dúvidas sobre isso.

A crise do coronavírus caiu como meteoro sobre a situação. De janeiro para cá, o mercado aeroespacial tomou um tombo devido à expectativa de redução de demanda.

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