Comércio esboça recuperação com alta de 2,2% no último trimestre de 2019

Número acompanhou outros setores, mas ficou aquém do esperado com a liberação do FGTS

São Paulo

O comércio cresceu 2,2% no quarto trimestre de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018, de acordo com dados do PIB divulgados nesta quarta (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O setor acompanhou a alta de serviços (1,6%) no trimestre finalizado em dezembro.

Já na relação entre o terceiro e o quarto trimestre, o índice passou de 0,9% para 0%, mantendo a trajetória de queda verificada para esse intervalo desde 2017.

“A principal questão do ano é que o terceiro trimestre foi muito positivo a setores como varejo, com crescimento forte devido ao avanço do crédito e à confiança dos consumidores”, diz Guilherme Dietze, economista da Fecomércio.

A PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) já apontava para essa direção.

No segundo semestre de 2019, a alta no volume de vendas no varejo restrito —que exclui automóveis e materiais de construção— foi de 3%. No primeiro semestre, apenas de 0,6%.

"É um ritmo de evolução se olharmos para o ano todo. O setor de eletrodomésticos, por exemplo, teve queda de 2,8% no primeiro semestre. No segundo, cresceu 8%”, diz Dietze.

O terceiro trimestre foi marcado pela chamada Semana do Brasil e pelo cenário de crédito facilitado. O último contou com a liberação do FGTS.

"As medidas que o governo tomou para turbinar o consumo e, por consequência, o PIB, foram vazias em alguns aspectos. Sim, muitos gastaram o FTGS, mas muitos estavam endividados", diz Juliana Inhasz, economista e professora do Insper.

Os setores de comércio e serviços estão alinhados com o PIB, segundo analistas, mas contrariam a expectativa de que o crescimento em 2019 e 2020 fosse baseado na retomada via consumo familiar. "É um cenário lento e de cautela", diz a economista.

Já dezembro de 2019 —mês conturbado com a contestação de números sobre vendas de Natal em shoppings— registrou alta de 2,6% no varejo restrito, na comparação com o mesmo mês de 2018, segundo a PMC.

A Alshop, associação que reúne lojistas de shoppings, chegou a anunciar crescimento de 9,5% nas vendas de Natal, sem considerar a inflação. Depois, a entidade divulgou aumento nominal de 7,5% para o mês de dezembro.

Para Luis Augusto Ildefonso, diretor na Alshop, é comum o descompasso entre os dados do IBGE e os da entidade, porque a pesquisa do instituto é baseada no mercado de rua, enquanto o valor gasto em shoppings é maior.

"A primeira informação que demos foi muito influenciada pela Black Friday. Era uma enquete feita de 28 de novembro a 23 de dezembro. Tanto é que na segunda pesquisa, que conta dezembro todo, caímos para número próximo da Abrasce, que falou em 5,5%”, diz.

A Ablos, associação que reúne lojistas satélite e que questionou a Alshop em dezembro, se apoia em dados da Cielo. A empresa indicou crescimento de 3,7% no varejo de 19 de dezembro a 25 de dezembro.

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