Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Como manter a calma quando o mercado financeiro entra em pânico?

Surto de coronavírus e preços do petróleo faz bolsas mundiais derreterem

Mike Bird
Nova York | The Wall Street Journal

Os mercados geralmente são conduzidos pela cobiça ou pelo medo. Em raras ocasiões, felizmente, eles são conduzidos pelo pânico desenfreado. Os movimentos de preços na segunda-feira (9), quando os mercados asiáticos abriram, foi uma dessas ocasiões.

O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA para 30 anos caiu cerca de 0,4 ponto percentual na abertura dos mercados, no que seria seu terceiro maior movimento em um dia em 35 anos, ultrapassando a queda de 0,35 ponto na sexta-feira (6).

Os dois dias com maiores declínios foram 20 de outubro de 1987, dia seguinte ao crash da Segunda-feira Negra, e 20 de novembro de 2008, numa das piores semanas na história do mercado financeiro dos EUA.

Homem trabalha na Bolsa de Valores de Nova York, Estados Unidos - Michael Nagle - 6.mar.2020/Xinhua

A última movimentação pode ser maior do que merecia, mesmo pela seriedade das notícias do fim de semana. Um desacordo entre a Arábia Saudita e a Rússia sobre a produção de petróleo causou uma queda nos preços do petróleo de até 30%, e restrições de viagens impostas a 17 milhões de pessoas na Itália entraram em vigor para controlar a disseminação do coronavírus.

Mas isso não importa mais em curto prazo. Quando o pânico domina, os mercados podem ser mais governados pela percepção de saúde das instituições que os operam do que por uma compreensão racional dos fatos econômicos.

Nessas circunstâncias, pedidos de cobertura podem provocar liquidações mesmo de ativos geralmente considerados seguros —o ouro é um caso recente— e os preços dos ativos de risco podem cair ainda mais do que poderiam sugerir avaliações frias de seu valor fundamental.

Diante disso, os investidores devem pensar duas vezes antes de tentar cronometrar os mercados ou encontrar pechinchas neste momento. Alguns podem pensar que os Tesouros não podem se mover mais depois de movimentos já tão grandes, mas os títulos do governo mais seguros foram a única fonte consistente de seguro contra a atual liquidação, e provavelmente continuarão oferecendo proteção se as coisas piorarem.

Até agora, as explosões de fundos fortemente alavancados e produtos financeiros estiveram notavelmente ausentes das últimas duas semanas de volatilidade do mercado. Movimentações da escala vistas quando os mercados abriram na segunda-feira poderão mudar isso.

Os investidores têm alguns motivos para acalmar seus temores, ou mesmo para ficarem otimistas. As maiores instituições bancárias do mundo são muito mais capazes de suportar choques do que eram em 2008, e o encanamento subjacente que mantém os mercados em movimento ainda não deu os sinais de convulsão que caracterizaram a crise financeira global. Os grandes bancos estão menos da metade tão alavancados quanto estavam em 2008, segundo o Conselho de Estabilidade Financeira.

Depois da Segunda-feira Negra, o Dow Jones levou pouco mais de 18 meses para atingir novos picos. Em comparação, o mesmo índice só retornou a seu pico de 2007 em 2013.

A crise atual continua em evolução, mas a força relativa dos maiores bancos do mundo poderá acabar fazendo esta liquidação parecer mais com a Segunda-feira Negra do que com a crise financeira global. A qualidade que definiu a última foi a paralisação total do sistema bancário. Melhores defesas contra um resultado semelhante hoje poderiam atenuar alguns dos piores temores nos mercados neste momento.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.