Descrição de chapéu Coronavírus

É óbvio que governo já deveria ter adiado pagamento de impostos de empresas, diz Maia

Presidente da Câmara dos deputados também criticou a condução do governo federal pela crise

Brasília

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta sexta-feira (27) que o governo adie o pagamento de impostos por empresas como uma medida para amenizar os impactos econômicos da pandemia do coronavírus.

Maia participou por videoconferência de uma transmissão ao vivo da Lide, associação que reúne empresários e que foi fundada pelo atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Aos executivos, ele criticou a condução que o governo federal está fazendo da crise provocada pela doença e disse que as ações anunciadas até o momento são tímidas.

Presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Luis Macedo - 07.fev.2020/Câmara dos Deputados

“Em relação à questão dos impostos, é óbvio que o governo já deveria ter feito isso [adiado o pagamento]”, afirmou. “É óbvio que o governo já deveria ter suspendido os contratos e ter aberto o seguro-desemprego como contrapartida”.

“Eu estou dizendo para o governo que ou o governo vai decidir ou o congresso vai decidir. É bom? Não, é péssimo. Mas se a decisão não chegar, vai chegar desorganizada”, criticou.

Maia defendeu ainda que o governo adie a entrega do Imposto de Renda. O prazo inicial acaba em 30 de abril. “É coisa simples. Muitos já entregaram, não tem nenhum grande impacto, mas é um gesto que vai tranquilizar as pessoas”, disse.

O deputado afirmou que está tentando segurar a pressão de parlamentares que reivindicam uma ação de combate à pandemia integrada entre os Poderes. Para ele, medidas coordenadas dariam mais tranquilidade à sociedade e evitariam uma guerra pelo protagonismo do enfrentamento à Covid-19.

“Se começar essa coisa de ‘ah, o governo não fez, o Congresso fez. O Senado fez uma, a Câmara fez outra`. Isso aí vai gerar mais insegurança e imprevisibilidade”, defendeu.

O presidente da Câmara também comentou o pacote de medidas anunciadas nesta sexta pelo governo. Será aberta uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas financiarem folha de salários.

O programa demandará R$ 40 bilhões e será custeado em maior parte pelo Tesouro Nacional. Toda empresa que aceitar não poderá demitir funcionários por dois meses.

Ele elogiou as iniciativas, em especial a de empréstimo a pequenas e médias empresas para financiar o salário de funcionários, e disse estar conversando com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre o assunto.

No entanto, considerou as medidas tímidas. “É óbvio que esse empréstimo que ele está fazendo já deveria ter feito e em um volume maior, do meu ponto de vista. Não apenas para pagar salário, mas para garantir capital de giro”, disse.

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