Descrição de chapéu Coronavírus

Indústrias de aves e suínos do Brasil não planejam cortar produção por coronavírus

Empresários dizem que consumo durante pandemia não altera demanda doméstica e nem exportações; arroba bovina recua

São Paulo | Reuters

As indústrias de aves e suínos do Brasil não têm planos para cortar produção ou dar férias coletivas a trabalhadores em meio à crise do coronavírus, disse nesta terça-feira a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

O diretor-executivo da entidade, Ricardo Santin, afirmou via telefone que a crise está alterando os hábitos de consumo, mas que não teve impacto significativo nem sobre a demanda doméstica, nem sobre a procura por exportações.

"Boi tem situação diferente (do nosso setor). Boi pode ficar no pasto sem custo. Diferente de aves e dos suínos", disse Santin.

Criação de frangos em Lapa (PR) - Rodolfo Buhrer/Reuters

"Estamos conscientes que o período pode ser complicado. Todas as empresas têm seus planos de contingência", acrescentou.

A produtora de carne bovina Minerva anunciou reduções de abate em meio a problemas logísticos decorrentes da crise sanitária iniciada na China, principal parceira econômica do Brasil.

Em relação aos mercados externos, Santin disse que os volumes diários de embarques de carnes suína e de aves nos dez primeiros dias de março indicaram que os números das exportações serão fortes, em linha com o mesmo mês do ano passado.

Considerando que países como a China seguem lidando com doenças que afetam animais, como a peste suína africana e a gripe aviária, o Brasil continuará a se beneficiar das fortes importações de alimentos pela Ásia, afirmou ele.

As cotações da arroba bovina, por outro lado, recuaram nesta terça-feira em importantes praças do país, pressionadas pela menor demanda por carne e a ausência de frigoríficos nas negociações, em meio às consequências da pandemia de coronavírus que resultaram em paralisações em algumas unidades.

O Indicador do Boi Gordo Cepea/B3 caiu 2,59% na variação diária, para 199,40 reais por arroba. No comparativo mensal, a baixa foi de 1,16%, segundo o indicador, uma média de praças do Estado de São Paulo.

Alguns frigoríficos estão suspendendo abates de bovinos como medida preventiva contra a transmissão do coronavírus e também por problemas logísticos decorrentes de estratégias de controle do vírus adotadas na China e que afetam as exportações.

A Minerva Foods anunciou nesta terça-feira que operações de abate serão suspensas em quatro unidades. Já a JBS disse na véspera que vem monitorando os reflexos do coronavírus no mercado e admitiu que "avalia a implantação de férias coletivas exclusivamente em algumas das suas unidades de processamento de bovinos no Brasil".

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, a ausência de players importantes no mercado, ainda que temporária, deve pressionar a arroba em algumas das principais praças pecuárias, como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.

No mercado interno, a redução da alimentação fora de casa, atendendo à orientação do governo de que a circulação nas ruas ocorra somente quando necessário, também prejudica a demanda por proteína e contribui para o viés negativo de preços em toda a cadeia.

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