Itaú Unibanco prevê queda de 0,7% do PIB em 2020 e recuperação de 5,5% em 2021

Instituição vê retração de 9,6% no segundo trimestre e crescimento de 11,9% no terceiro

São Paulo

O Itaú Unibanco alterou a projeção para o desempenho da economia brasileira neste ano de um crescimento de 1,8% para uma queda de 0,7% por conta dos efeitos do coronavírus na economia.

A instituição avalia, no entanto, que haverá forte recuperação em 2021, ano cuja expansão foi revista de 3% para 5,5%.

Com isso, o crescimento acumulado nesses dois anos não mudaria, e a economia brasileira registraria avanço de 4,8% no período.

O banco também traçou dois cenários alternativos. O mais otimista, com crescimento de 0,2% neste ano e 4,6% no próximo. O pessimista, de queda de 1,6% seguida de expansão de 6,4% em 2021.

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Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco - Zanone Fraissat/Folhapress

A gente acha que os governos, corretamente, vão priorizar a saúde pública e isso vai ter impacto severo, ainda que transitório, sobre a atividade econômica. No Brasil, o impacto mais severo deve ser no segundo trimestre. Depois, retoma a atividade, condicionada a que se evite rupturas, como quebra de empresas e movimentos que transformariam esse choque transitório em algo mais persistentes”, afirmou Mario Mesquita, economista-chefe da instituição.

“Em todos os casos, a gente espera um crescimento grande em 2021. É uma crise temporária. O PIB cai muito e, depois que normalizar [as atividades], ele volta para o que deveria estar como se não tivesse tido esse choque. Para que isso aconteça, é preciso que as políticas evitem crises corporativas maiores.”

O cenário principal do banco considera interrupção da atividade no Brasil e nos EUA equivalente a 75% do que ocorreu na China, com uma queda de 30% do PIB em apenas um mês. Isso representa dez vezes o ocorrido durante a greve dos caminhoneiros de 2018 no Brasil.

O comportamento do PIB nos quatro trimestres deste ano seria de, respectivamente, +0,3%, -9,6%, 11,9%, +0,6%.

Mesquita afirmou que, entre os maiores riscos para esses cenários, estão a necessidade de paralisação das atividades por um tempo superior a 30 ou 40 dias, o aumento dos casos de doença, apesar dessas medidas de restrição, e as grandes economias não conseguirem prover liquidez necessária para evitar problemas de crédito.

Em relação às medidas econômicas adotadas no Brasil, afirmou que o maior desafio não é o volume de recursos, mas como fazê-los chegar nas microempresas e nas pessoas que têm trabalho informal. “As grandes empresas, por ora, preocupam menos.”

A instituição também projeta retração de 0,4% no PIB mundial neste ano, seguida por expansão de 6,1% em 2021.

Em relação à inflação no Brasil, Mesquita estima que a queda no preço do petróleo irá mais que compensar os efeitos da alta do dólar, levando a projeção para este ano de IPCA de 3,3% para 2,9%. As projeções de câmbio estão em R$ 4,60 no final deste ano e R$ 4,15 em 2021.

Ele também espera mais cortes de juros, dos atuais 3,75% ao ano para 3,25% ao ano. A expectativa de déficit nas contas públicas passou de R$ 145 bilhões para R$ 230 bilhões, devido à necessidade de mais gastos públicos e à queda nas receitas.

Nesta semana, os bancos JPMorgan e Goldman Sachs passaram a prever contração da economia brasileira neste ano, com o PIB (Produto Interno Bruto) afetado pelos efeitos globais do coronavírus, segundo relatórios desta quarta-feira (18).

Na véspera, o Credit Suisse havia reduzido sua projeção de expansão de 1,4% para zero.

O JPMorgan projeta queda de 1,0% no PIB em 2020, ante expectativa anterior de crescimento de 1,6%, com uma "profunda recessão" no primeiro semestre.

O Goldman Sachs também cortou sua projeção para a economia em 2020, de expansão de 1,5% para contração de 0,9%.

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