Mais de 100 mil empregados de montadoras entram em férias

Concessionárias, que empregam 305 mil, também começam a fechar as portas

São Paulo

Mais de 100 mil trabalhadores das montadoras instaladas no Brasil entram em férias coletivas neste mês. Na maior parte, a parada terá início na segunda (23), e a volta ao trabalho está prevista para a segunda quinzena de abril —embora todas condicionem o retorno à evolução da pandemia do coronavírus.

Ao todo, as associadas à Anfavea (entidade que reúne as fabricantes de automóveis, ônibus e caminhões) têm 125,6 mil empregados diretos.

Nesta sexta (20), FCA Fiat Chrysler, Honda, PSA Peugeot Citroën, BMW e Renault confirmaram o fechamento de suas linhas de produção.

Instalações do laboratório de segurança veicular de uma montadora
Instalações do laboratório de segurança veicular de uma montadora - Eduardo Knapp - 28.mai.2015/Folhapress

Apesar de ter registrado um caso suspeito de Covid-19 na fábrica de Piracicaba (SP), a Hyundai Motors do Brasil é uma das raras montadoras que ainda não anunciaram férias coletivas. A unidade tem 2.500 funcionários. A produção está interrompida desta sexta até a segunda (23).

A empresa diz que aguarda os resultados dos exames e planeja retomar a produção na terça (24), mas estuda próximas medidas conforme a evolução da doença no país.

As interrupções nas linhas de montagem geram um efeito dominó no setor. A direção do Sindipeças, que representa os fornecedores de componentes, acompanha o movimento das montadoras de veículos, mas evita fazer estimativas sobre os efeitos da pandemia entre os sistemistas, que são responsáveis por 248 mil empregos diretos no país.

A Pirelli emprega 8.000 desses trabalhadores. A fabricante de pneus estará em férias coletivas no Brasil a partir de segunda. A data prevista para retorno não foi divulgada.

As redes concessionárias também começam a fechar as portas. A paralisação já vigora na cidade de São Paulo, mas ainda há lojas funcionando em outros estados. Ao todo, o setor emprega 305 mil funcionários, segundo a Fenabrave (associação das revendas).

A crise gerada pelo coronavírus traz o medo do desemprego de volta ao universo automotivo, que ainda não se recuperou dos resultados ruins acumulados entre 2014 e 2017.

Em 2013, o número de empregados em fábricas e revendedores se aproximava de 1 milhão. São trabalhadores qualificados: operários de linhas de montagem passam por treinamentos específicos e constante atualização, por isso têm alguns dos salários mais altos do setor industrial.

Os efeitos atingem também as oficinas, que se recuperavam de um 2019 ruim.

“O movimento vinha bem, com crescimento de 15% no faturamento neste período pós-Carnaval em comparação a 2019”, diz Antonio Carlos Fiola, presidente do Sindirepa (sindicato dos reparadores).

Fiola espera que as oficinas possam ao menos manter as atividades a portas fechadas, buscando o carro dos clientes em suas residências.

“Em São Paulo, tem subprefeitura que foi fechar a oficina e outra que liberou o funcionamento por escrito, há falta de informação.”

Já os importadores de veículos retomaram o pedido de redução da alíquota dos atuais 35% para 20%. A Abeifa, entidade que representa o setor, protocolou o pleito na terça (17) e aguarda posicionamento do Ministério da Economia.

“A questão já vinha sendo discutida, mas a pandemia do coronavírus e a desvalorização da moeda nos fizeram acelerar esse processo. O governo tem consciência de que todos os setores precisam de ajuda”, diz João Henrique Oliveira.

O executivo afirma que a o fim da sobretaxa de 30% sobre as importações que ultrapassassem a cota de 4.800 unidades por ano teve impacto pequeno no setor. “Era um número tão elevado que nenhuma empresa conseguiu importar acima disso”. A alíquota adicional vigorou de outubro de 2012 a dezembro de 2017.

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