Descrição de chapéu Coronavírus

Me desculpem se fui mal interpretado, diz dono do Madero após comentário sobre número de mortes por coronavírus

Apesar das desculpas, Junior Durski repetiu que restrições econômicas são desproporcionais

Curitiba

O empresário paranaense Junior Durski, dono da rede de restaurantes Madero, usou novamente nesta terça-feira (24) as redes sociais, desta vez para pedir desculpas por ter sido “mal interpretado” com a fala divulgada no dia anterior. Na ocasião, ele afirmou que o número de mortes causadas pelo novo coronavírus não será tão grave quanto o de desempregos.

“Me desculpem se alguém me interpretou mal. Nunca vou menosprezar uma vida sequer. [...] Vou fazer de tudo para ajudar todas as pessoas e vou sempre apoiar todas as ações, mas não podemos ser desproporcionais e não podemos não pensar nas consequências econômicas”, afirmou no novo vídeo.

Junior Durski, presidente do grupo Madero e Jerônimo
Junior Durski, presidente do grupo Madero e Jerônimo - Brunno Covello/Folhapress

Apesar do pedido de desculpas, o empresário, sócio do apresentador de TV Luciano Huck, apontado como presidenciável em 2022, voltou a criticar medidas restritivas sobre setores da economia como resposta a expansão do novo coronavírus no Brasil. Ele citou exemplos que considera desproporcionais, como sobre o funcionamento de hospitais e feiras públicas.

“Em Curitiba, fechou um hospital de otorrinolaringologia porque diz que não é essencial para as pessoas. Se alguém tiver uma inflamação na garganta vai ter problemas. [...] Não faz sentido fechar feiras públicas de frutas e verduras. [...] As pessoas que podem comer têm que comprar no supermercado e não na feira, mas o supermercado tem muito mais gente do que na feira. No supermercado não é arejado, na feira é arejada, estaria muito mais seguro. [...] E não pensaram nos feirantes. São milhares de pessoas que quebraram porque fecharam”, disse.

Apesar de citado pelo empresário, mesmo os hospitais particulares, não foram orientados a fechar em Curitiba, já que fazem parte da lista de serviços essenciais da cidade. Algumas feiras livres também foram mantidas em funcionamento pela prefeitura da capital.

Citando uma reportagem televisiva sobre favelas brasileiras que mostrava aglomerações de pessoas numa mesma casa, Durski afirmou que os pobres não estão sendo assistidos na crise.

“Esse isolamento é muito bom, mas é bom para os ricos. Não estou falando mal de ricos, eu também sou, mas, minha mãe de 82 anos está completamente segura, sozinha no apartamento dela, mas e as outras pessoas que não têm, que estão na favela? [...] Como vão ficar essas pessoas? Vão ficar aqui dentro no conforto do lar, das casas?”, questionou.

O empresário mencionou ainda que crianças com acesso a merenda escolar ficarão sem comer com a suspensão das aulas.

“Fechem todos os jogos de futebol, os cinemas, os teatros, tudo que tenha aglomeração pública, mas mantenham a escola aberta para as crianças irem comer. As crianças têm que comer merenda, elas vão ficar com fome? Tem que ficar porque o vírus chegou?”, disse.

O Paraná e outros estados estão mantendo o fornecimento de merenda escolar para as famílias de crianças com maior vulnerabilidade social. Curitiba adotou a mesma medida.

Ao final da gravação, Durski apontou que é preciso pensar nos mais pobres, como os micro e pequenos empresários, no enfrentamento da crise.

“Vamos ser mais humanitários, mais racionais, pensar nas graves consequências que vão vir com a grave crise econômica. Li um artigo que diz que podem morrer bilhões de pessoas no mundo em razão da grave crise econômica que vai se instalar. Não estou preocupado comigo, temos condições de passar pela crise, mas os pequenos, não”, afirmou.

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