Descrição de chapéu Coronavírus

Queda vertiginosa do PIB leva bancos a projetar recessão global sincronizada

EUA, China, zona do euro e Japão estarão em recessão no primeiro semestre

São Paulo

Os maiores bancos do mundo projetam uma queda vertiginosa dos PIBs de EUA, China, zona do euro e Japão no primeiro semestre deste ano. O movimento levará o mundo a um crescimento próximo de zero em 2020.

Três entre essas quatro economias estarão em recessão sincronizada no primeiro semestre e fecharão o ano com o PIB no vermelho, segundo projeções do Institute of International Finance, que reúne 450 bancos em 70 países.

A exceção é a China, a segunda maior, que não entra tecnicamente em recessão (dois trimestres seguidos em queda) e termina o ano da crise do coronavírus crescendo 3,5%, pouco mais da metade de 2019.

As previsões para o pior trimestre em que a Covid-19 afetará essas economias na primeira metade do ano são impressionantes: contração de -9% nos EUA; de quase -15% na zona do euro; de -18% na
China; e de -8% no Japão.

Só para a China é esperada uma recuperação espetacular da produção e do consumo nos meses à frente, capaz de levar o país ao campo positivo no fechamento do ano.

Os demais vão se reerguer mais lentamente, limitando o crescimento global ao redor de 0,4% —bem abaixo dos 2,9% de 2019. A contração anualizada norte-americana deve chegar a -0,4%. A da zona do euro e do Japão, a -2,8% e -1,5%, respectivamente.

O principal argumento para projetar uma melhora no segundo semestre é que, possivelmente, o pior da crise terá ficado para trás. Isso exigirá a recuperação de estoques e de compras represadas após a parada do primeiro semestre.

Mesmo assim, ela será lenta para EUA e Europa devido às quedas brutais nos mercados de capitais e nos empréstimos a empresas, que estão travando o refinanciamento de suas dívidas e dilapidando caixas em meio à forte diminuição do faturamento.

O setor corporativo deve hoje US$ 12 trilhões, o dobro de antes da crise global de 2008.

Na contramão, os bancos reduziram seu endividamento desde então. O risco para eles agora é serem afetados indiretamente pela inadimplência do setor produtivo, ampliando ainda mais a crise.

Boa parte dos trilhões de dólares anunciados nos pacotes de socorro nos EUA e na Europa tem como objetivo aliviar a situação das empresas não financeiras e evitar que a crise delas chegue aos bancos.

O Fed, o banco central americano, injetará US$ 750 bilhões para comprar dívidas de companhias que os investidores não querem mais manter em seus portfólios ou refinanciar.

Já o Banco Central Europeu elevou para € 1 trilhão a previsão de compra, neste ano, de títulos corporativos e de governos que precisarem aumentar gastos.

Além dos recursos para socorrer esses mercados de títulos, EUA e Europa também inventam pacotes bilionários para que empresas e empregados recebam dinheiro enquanto não estiverem produzindo ou trabalhando.

Há até a previsão de ajuda direta às famílias americanas no valor de US$ 500 bilhões, o equivalente a um terço do PIB brasileiro —algo nunca cogitado na crise de 2008.

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