Descrição de chapéu Coronavírus

Sobrecarregados por pedidos após coronavírus, supermercados suspendem delivery

Unidades em São Paulo operam com baixo estoque, pedem ao cliente que compre pouco e demoram mais de três semanas para entregar

São Paulo

A recomendação de que a população fique em casa para evitar a disseminação do coronavírus fez com que os pedidos de delivery nos supermercados em São Paulo disparassem. Em alguns casos, isso inviabilizou o serviço completamente.

A rede Mambo chegou a tirar sua loja virtual do ar e suspendeu os pedidos de entrega durante pelo menos dois dias. O serviço voltou por volta das 13h da segunda-feira (23), e o supermercado publicou uma nota afirmando que os pedidos podem sofrer alterações e atrasos na entrega.

Quem fizesse um pedido nesta segunda (23) receberia a compra uma semana depois, a partir do dia 30 de março. A rede também passou a abrir suas unidades uma hora mais cedo, às 6h, e a destiná-la ao atendimento exclusivo dos clientes com mais de 60 anos.

A rede St. Marche, presente em bairros de classe média alta, também suspendeu as entregas em algumas regiões da cidade. Nos bairros em que ainda opera, o supermercado estendeu o prazo de entrega para mais de três semanas.

A Folha testou o serviço na segunda-feira (23) e a resposta foi que a compra só chegaria no dia 16 de abril. Em uma das unidades contatadas pelo telefone, em Alto de Pinheiros (zona oeste), a atendente afirmou que boa parte do estoque estava em falta.

Em um comunicado no site, o St. Marche pede desculpa pelos atrasos e afirma que devolverá o dinheiro aos clientes que tiverem pago por produtos em falta.

Já as redes Pão de Açúcar e Extra, que pertencem ao grupo GPA, estão levando mais de duas semanas para entregar os pedidos feitos via internet —quem pedisse na segunda-feira (23) receberia somente a partir de 7 de abril.

Ambas publicaram comunicados em seus sites pedindo que os clientes evitassem estocar produtos e priorizassem as unidades físicas caso não fizessem parte dos grupos de risco.

Procurado pela reportagem, o GPA respondeu em nota que as redes do grupo limitaram a quantidade de determinados produtos a partir de 17 de março. Nesse grupo, estão produtos de higiene pessoal e limpeza, arroz, água, leite e massas.

A medida vale para todas as unidades do Brasil por tempo indeterminado.

Também afirmou que abrirá, nos próximos dias, um novo centro de distribuição para abastecer os pedidos feitos pela internet na região metropolitana de São Paulo e que contratou funcionários temporários para suprir o aumento da demanda.​​​

Algumas unidades estão com estoque em falta. Na manhã de segunda (23), por exemplo, a unidade do Pão de Açúcar em Santana, na zona norte, não tinha óleo, farinha de trigo, creme de leite, leite condensado, macarrão, álcool líquido e em gel.

A rede Carrefour também pediu aos clientes que priorizassem as unidades físicas caso não fizessem parte dos grupos de risco, e afirmou estar entregando normalmente. Em uma simulação de compra no site, no entanto, a reportagem constatou que todos os períodos de entrega estavam indisponíveis.

Nas unidades do Cambuci (zona sul) e da alameda Pamplona (nos Jardins, zona oeste), questionados sobre as entregas em casa, os atendentes orientaram a reportagem a fazer o pedido via Rappi.

Na unidade da Pamplona, o atendente afirmou que o estoque estava muito escasso.

A rede Dia, em seu site, também pede aos clientes que evitem estocar produtos e avisam que, das 8h às 9h, o atendimento nas lojas será apenas para maiores de 60 anos.

A reportagem tentou simular compras em todas as redes acima pelas centrais de atendimento por telefone. Nenhum deles atendeu após 10 minutos na linha de espera.

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