Argentina propõe ficar três anos sem pagar credores de títulos públicos

Ministro da Economia afirma que país não consegue honrar pagamentos

Buenos Aires

"Hoje, a Argentina não pode pagar nada. Durante alguns anos, não pode pagar nada."

Assim começou a fala do ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán, ao apresentar a oferta de reestruturação da dívida pública junto aos credores privados, com títulos emitidos sob legislação estrangeira.

A proposta argentina prevê que o país fique três anos sem efetuar nenhum pagamento. Em 2023, o país começaria a pagar a dívida por meio de um cupom de 2,33% do total, com taxas de juros crescentes, que começariam em 0,5%, e subiriam "num ritmo sustentável", explicou o ministro.

As dívidas externa e interna argentinas correspondem a 97% de seu PIB. Se a medida for aceita, a Argentina deixaria de pagar, neste ano, US$ 3,3 bilhões.

O anúncio foi feito com a presença do presidente, Alberto Fernández, e da vice-presidente, Cristina Kirchner, na residência oficial da Quinta de Olivos.

Guzmán disse que tinha o apoio do Fundo Monetário Internacional, a quem o país deve US$ 44 bilhões, do G20 e do G7.

"Ainda falta um acordo com os credores privados, mas explicaremos a ele porque esse pagamento tem de ser sustentável", disse.

A proposta chegará oficialmente a eles nesta sexta-feira (16), e eles teriam 20 dias para expressar se aceitam ou não.

"Há muitos que defendem que temos de fazer mais ajuste fiscal, rápido e mais duro. Mas isso destruiría o futuro, as oportunidades de milhões de argentinos".

Guzmán disse que, nesses próximo 20 dias, colocará todo o esforço em buscar um entendimento com os credores.

Segundo o governo, a proposta já contaria com a adesão de um 66% dos detentores dos títulos, mas que a tendência seria aumentar com as negociações vindouras.

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