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Após mal-estar entre Guedes e Planalto, ministros falam em 'interpretação equivocada' sobre Pró-Brasil

Guedes e Braga Netto falam juntos no Palácio do Planalto para aplacar crise em torno de programa que prevê gastos em obras públicas

Brasília

Personagens centrais do mal-estar provocado no governo após anúncio de obras públicas para retomada da atividade, os ministros Paulo Guedes (Economia) e Braga Netto (Casa Civil) afirmaram nesta quarta-feira (29) que houve interpretação equivocada e mal-entendido sobre o programa pró-Brasil.

Apresentado na semana passada sem a presença de Guedes, o programa prevê um conjunto de medidas que incluem a retomada de gastos públicos para a recuperação de empregos. O anúncio, comandado pela Casa Civil, provocou desconforto na equipe econômica e gerou rumores de um possível pedido de demissão de Guedes.

Nesta quarta, os dois ministros foram juntos a uma entrevista coletiva no Planalto para dizer que há união e coordenação no planejamento do governo.

Os ministros Paulo Guedes, da Economia, à esquerda e Braga Netto, da Casa Civil, à direita, durante coletiva de imprensa sobre as ações do governo no combate à pandemia do coronavírus no palácio do planalto - Pedro Ladeira - 29.abr.2020/Folhapress,

"[Houve] interpretação equivocada do programa pró-Brasil”, disse Braga Netto. “O pró-Brasil surgiu porque os ministros começaram a procurar a Casa Civil para a retomada de programas. […] É o papel da Casa Civil de centro de governo, de coordenação”.

Ele ressaltou que nenhum valor foi definido para o programa, que terá palavra final de Guedes e do presidente Jair Bolsonaro.

Em seguida, Guedes disse que quer deixar claro que “foi um mal-entendido”, que Braga Netto cumpre função de coordenar os ministérios.

Apesar do aceno, o chefe da Economia voltou a criticar a possibilidade de o governo usar dinheiro público para forçar a recuperação da atividade. Segundo ele, é possível promover investimento público, desde que haja espaço no Orçamento.

“Retomada não é repetir erros do governo passado, que quebraram o Brasil. Ninguém consegue sair do buraco cavando mais fundo”, afirmou Guedes. “A crise é da saúde, não pode alguém achar que no momento em que temos que ajudar a saúde alguém vem correndo, bate a nossa carteira e sai correndo”.​​

Para a retomada, o ministro defende reformas estruturantes e a reformulação de marcos regulatórios, como os de saneamento e de energia, para atrair investimento privado. Ele ainda defende o congelamento temporário de salários de servidores públicos.

No anúncio do pró-Brasil, foi apresentada uma previsão inicial de R$ 30 bilhões do Orçamento para reativar 70 obras paralisadas. Uma ala do governo, entretanto, defende uma ampliação imediata desse montante.

Membros da equipe econômica avaliaram, na ocasião, que a abertura dos cofres públicos seria um aceno para a base eleitoral de parlamentares, algo que estaria sendo estimulado pelo ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional).

Sem mencionar nomes, Guedes afirmou na entrevista que a crise de saúde não pode ser transformada em uma “farra eleitoral”.

A avaliação do ministro é que mudanças na percepção do mercado com eventual afrouxamento fiscal iriam afastar investimentos, desestruturar a curva de juros do país e travar a economia.

No início da semana, após o conflito de versões sobre o programa, Bolsonaro afirmou que “hoje quem decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes”.

Entusiastas de mais gastos para estimular a retomada da economia, integrantes da ala militar dizem que Bolsonaro, no entanto, defende o programa e a revisão de regras fiscais.

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