Descrição de chapéu Coronavírus

EUA interrompem crescimento recorde de empregos por crise do coronavírus

Taxa de desemprego disparou de 3,5% para 4,4%; impacto da crise pode ser maior

Washington | Reuters

A economia dos Estados Unidos fechou postos de trabalho em março, encerrando abruptamente um histórico de 113 meses seguidos de crescimento do emprego, à medida que ações rigorosas para controlar a pandemia de coronavírus prejudicam empresas e fábricas, praticamente confirmando uma recessão.

O Departamento do Trabalho dos EUA disse que os empregadores cortaram 701 mil vagas no mês passado, depois de criarem 275 mil em dado revisado em fevereiro. A taxa de desemprego disparou de 3,5% para 4,4%.

De acordo com uma pesquisa da agência Reuters com economistas, a previsão era de houvesse cortes fora do setor agrícola de 100 mil empregos no mês passado, interrompendo uma série recorde de ganhos de emprego desde outubro de 2010. O desemprego era previsto em 3,8%.

Donald Trump em entrevista em Washington, com painel que mostra projeção de mortes no país - Tom Brenner - 31.mar.2020/Reuters

Entretanto, o relatório desta sexta-feira (3) está longe de representar os danos totais provocados pelo coronavírus. O governo consultou empresas e famílias para o relatório em meados de março, antes de uma grande parte da população entrar em algum tipo de isolamento, deixando milhões sem trabalho.

O relatório pode aguçar as críticas ao tratamento da crise da saúde pública por parte do governo Trump, com o próprio presidente Donald Trump enfrentando críticas por minimizar a ameaça da pandemia em suas fases iniciais. Os dados já mostram um recorde de 10 milhões de norte-americanos entrando com pedidos de auxílio-desemprego nas últimas duas semanas de março.

Com os pedidos de auxílio-desemprego, indicador mais atualizado da saúde do mercado de trabalho, quebrando recordes nas últimas duas semanas e com a maioria dos norte-americanos sob ordem de permanecer em casa, a Oxford Economics prevê que pode haver cortes de ao menos 20 milhões de empregos em abril, o que apagaria o recorde de 800 mil em março de 2009.

"A economia caiu no abismo", disse Chris Rupkey, economista-chefe do MUFG em Nova York. "Para todos os lugares que você olha, Washington e os governos estaduais não estavam preparados para a rápida disseminação do vírus e os danos devastadores que seriam causados à economia se as empresas fossem fechadas e os trabalhadores enviados para casa."

Economistas também se preocupam que o rápido fechamento de empresas pode dificultar a captura precisa pelo Departamento do Trabalho da magnitude das dispensas.

Também existe a percepção de que o pacote fiscal de US$ 2,3 trilhões assinado pelo presidente Donald Trump na semana passada, que aumenta as provisões para os desempregados, e o alívio pelo governo federal nas exigências para que os trabalhadores busquem o benefício podem estar jogando para cima os números de pedidos.

"O relatório de abril deve refletir melhor a severidade da recessão, embora os números exatos sejam difíceis de definir", disse Michelle Meyer, economista do Bank of America Securities. "As empresas que fecharam não vão responder à pesquisa".

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