Governo desiste de antecipar 2ª parcela do auxílio emergencial de R$ 600, dois dias após anúncio

Decisão foi tomada pelo alto número de informais cadastrados e por recomendação da CGU

Brasília

O governo voltou atrás em uma medida anunciada nesta semana e desistiu de antecipar a segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores informais.

O comunicado da desistência foi feito pelo Ministério da Cidadania nesta quarta-feira (22). Segundo a pasta, a decisão foi tomada por causa do alto número de informais cadastrados e por uma recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU).

O ministério afirma que, com alto número de trabalhadores solicitando apoio, será necessário um crédito suplementar para poder atender a todos. O pedido para a suplementação já foi enviado ao Ministério da Economia, diz a pasta.

"Em virtude disso, por fatores legais e orçamentários, pelo alto número de requerentes que ainda estão em análise, estamos impedidos legalmente de fazer a antecipação da segunda parcela do Auxílio-Emergencial", afirma o ministério, em nota.

Inicialmente, o governo calculou uma necessidade R$ 98,2 bilhões para pagar o auxílio e uma MP (medida provisória) foi editada com esse valor para criar o crédito adicional. Depois, integrantes do governo passaram a dizer que o valor poderia não ser suficiente.

O Ministério da Cidadania informou que já foram transferidos R$ 31,3 bilhões à Caixa para atender a população, sendo que ainda serão avaliados cerca de 12 milhões de cadastros para a primeira parcela.

"Após a definição da suplementação orçamentária a ser feita pelo Ministério da Economia, iremos completar o atendimento da primeira parcela e anunciar o calendário de pagamento da segunda parcela do Auxílio-Emergencial no mês de maio", afirma a Cidadania.

Na segunda-feira (20), o ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania) e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmaram que a segunda parcela começaria a ser paga na quinta-feira (23). Originalmente, o cronograma previa os pagamentos da segunda tranche a partir de 27 de abril.

Boa parte dos beneficiários não recebeu sequer a primeira parcela e há relatos de trabalhadores esperando pelo depósito mesmo após terem sido aceitos no programa.

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