Maioria dos americanos afirma que renda diminuiu com pandemia

73% dos americanos relataram piora da saúde financeira de suas famílias durante a crise

Washington

A maior parte dos americanos já diz que a pandemia do coronavírus diminui sua renda familiar, indicando que a crise econômica nos EUA deve atingir as diversas camadas sociais do país.

Segundo pesquisa da Fundação Peter G. Peterson em parceria com o jornal Financial Times, 73% dos americanos relataram piora da saúde financeira de suas famílias durante a crise, enquanto 48% dizem que não teriam nenhuma renda caso precisassem parar de trabalhar por causa de doenças.

Pessoas que perderam emprego devido à crise da Covid-19, no Arkansas (EUA), neste mês - Nick Oxford/Reuters

Os números mostram impacto desde famílias que ganham mais de US$ 100 mil por ano até as que ganham menos de US$ 50 mil anuais.

No primeiro grupo, 71% relatam abalo na renda, sendo que 19% dizem que isso aconteceu de maneira muito significativa.

Entre os mais pobres, 74% afirmam que sentiram a queda --29% alegando que a baixa se deu de maneira bastante significativa.

O estudo também abarcou as famílias no meio do caminho, que ganham de US$ 50 mil a US$ 100 mil por ano. Nesse grupo, 72% afirmam que houve redução de suas rendas, 20% de forma muito significativa.

Os números dos EUA se espelham com as expectativa no Brasil. De acordo com pesquisa feita pelo Datafolha na semana passada, 69% dos brasileiros preveem que seus rendimentos diminuirão nos próximos três meses, e somente 30% acham que isso não vai acontecer.

Assim como entre os americanos, no Brasil a preocupação é maior entre os mais pobres, mas parece ter alcançado rapidamente grupos que se sentiam mais protegidos da crise.

Nos EUA, à medida que as consequências econômicas da pandemia ficam mais evidentes, os mais pobres passaram a relatar situações alarmantes --53% dos americanos com renda menor que US$ 50 mil ao ano, por exemplo, afirmam que não teriam nenhuma renda caso precisassem parar de trabalhar.

Os EUA têm registrado recorde de pedidos de seguro-desemprego desde o início da pandemia. Já são mais de 16 milhões de pessoas que requisitaram o benefício em três semanas, com o fechamento de diversas empresas, demissões ou redução de carga horária de trabalho.

O governo Donald Trump já lançou mão de um pacote de ajuda fiscal de emergência --o maior da história do país-- no valor de US$ 2,2 trilhões, que conta com pagamento direto de dinheiro aos americanos.

Serão US$ 1,2 mil aos cidadão com renda anual de até US$ 75 mil, e US$ 500 adicionais por criança. Quem estiver acima desse valor mas abaixo de US$ 99 mil anuais, receberá montante proporcional da ajuda.

O pagamento será feito de uma única vez --e não em parcelas, como havia sido inicialmente estudado pela Casa Branca-- e será isento de impostos. A quantia também não será considerada um empréstimo, ou seja, os americanos não precisam devolver esse dinheiro.

A tentativa do governo é estancar parte dos danos que atingem a economia com a pandemia, mas as projeções de analistas e mesmo de auxiliares de Trump é de que haverá uma desaceleração geral e um aumento significativa nas taxas de desemprego, que estavam em patamar historicamente baixo, de 3,5%, antes do início da crise.

Em fevereiro, a mesma pesquisa mostrava que apenas 13% dos americanos diziam que a pandemia havia afetado suas atividades pessoas e de negócios, número que saltou para 71% em março.

Hoje, 95% dos americanos estão sob alguma medida de restrição social, em medidas que devem durar no país pelo menos até dia 30 de abril.

Nesta quinta-feira (9), os EUA já registravam mais de 451 mil casos e 16 mil mortes.

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