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No confinamento, evite gafes e siga a etiqueta das videoconferências

Deixar-se filmar no banheiro e usar câmera para espremer espinha fazem parte da coleção de deslizes no home office; regra é discrição

Rio de Janeiro

“O nome dela é Jenifer”, cantava Gabriel Diniz, num dos maiores sucessos musicais do Brasil em 2018. Pois, há alguns dias, ela viralizou de novo. No caso, uma Jennifer norte-americana.

No meio de uma conferência em vídeo com outras dez pessoas, Jennifer se levanta, carrega seu computador pela casa, coloca no chão do banheiro e, com a câmera ainda virada para ela, abaixo o moletom e se senta na privada.

A moça que está falando gagueja. Os outros participantes riem, fazem caretas, põem as mãos no rosto. Ninguém avisa a coitada, que, de repente, se dá conta da situação e vira seu notebook com um safanão.

No Brasil também. Na semana passada, chegou aos jornais o comunicado do dono de um escritório de advocacia reclamando da atitude dos funcionários em reuniões online. Um estava de pijama verde-bandeira, barba por fazer e tinha “olho remelento”. Outro aproveitava a câmera do computador para espremer espinhas.

Nestes dias de quarentena, em que muitas pessoas estão se comunicando pela primeira vez por meio de videoconferências, uma série de gafes tem feito a diversão da galera na internet. Vale, então, pegar as dicas do povo que já faz reuniões on-line há eras.

O aplicativo de videoconferência que vem bombando é o Zoom. Enquanto trabalhadores em casa vão descobrindo as vantagens do home office, o programa transbordou o meio corporativo e invadiu as relações pessoais.

Talvez porque, diferentemente de alguns concorrentes, há a opção de a tela mostrar todo o mundo ao mesmo tempo do mesmo tamanho, em vez de destacar quem está falando naquele momento.

Pode parecer uma bobagem, mas assim você vê as reações das pessoas, e isso muda a dinâmica da conversa. Nas videoconferências empresariais, os outros participantes ficam quase invisíveis.

Assim, o Zoom tornou as conferências mais pessoais, permitindo inclusive conversas paralelas de um para um. Também facilita o uso da tela vertical, para ser usada em celulares. “Conversas, não reuniões”, diz a empresa.

Amigos têm se conectado para beber em grupo e jogar conversa fora por meio dele. Familiares têm se encontrado ali para matar saudades. Namorados o estão usando para fazer coisas que não podem ser descritas em jornais.

Mas, se já existia uma etiqueta das empresas para o melhor uso das videoconferências, no mundo mundano isso é completa novidade. Por isso, vale roubar algumas regras para ver se elas se aplicam ao bate-papo informal.

Segundo documento da empresa inglesa da recrutamento, a Aia Worldwide, o básico é:

  1. sente-se de frente para a janela, com a parede atrás de você;
  2. fique no meio da tela;
  3. não se aproxime da câmera, como se fosse uma girafa curiosa;
  4. cheque se todos podem ouvi-lo;
  5. peça aos outros que fiquem no mudo enquanto não falam;
  6. olhe para a câmera, não para a tela;
  7. não coma.

É claro que, se não for uma reunião corporativa, você pode comer, beber e fumar, mas os outros itens podem ser seguidos em qualquer situação.

Voltando ao home office, pessoas que fazem videoconferências em casa há muito tempo deram algumas outras dicas valiosas.

Para começar, por que tem que ser uma videoconferência? Só porque você tem uma câmera instalada no computador? Muitas empresas fazem conferências no Skype, no Teams da Microsoft, no Appear ou no Google Hangouts apenas com o som e jamais ligam a câmera. Considere isso.

Se todo o mundo estiver com vídeo ligado, a etiqueta pede que você também ligue. Mas, se alguém mostrar apenas a tela preta, você pode aproveitar e apagar a sua. Café e água são sempre bem-vindos, mas traga tudo para o lado do computador antes de começar.

Se for entrar para uma videoconferência agora, faça o seguinte: ao clicar no link que vai te levar à reunião, geralmente há uma antessala na qual você consegue testar o seu áudio e o seu vídeo. Ali, você consegue ver você como as outras pessoas vão ver. Confira a imagem. Você pode recostar-se languidamente em uma almofada e mesmo assim evitar mostrá-la.

Em sua casa, vai ter barulho do seu cachorro ou da TV com a criançada, então feche a porta e as janelas antes de entrar, mesmo que haja um calor brasileiro. Por educação, coloque seu microfone no mudo enquanto as outras pessoas estão falando. Ninguém quer ficar berrando em casa.

A conexão piorou, você já deve ter percebido, porque tem muita gente em casa assistindo à Netflix, ao Telecine, criançada jogando game online.

Se a conexão não está legal, a primeira coisa a cortar é a câmera. Se estiver falhando a voz, mantenha apenas a apresentação de planilhas e documentos na conferência e passe ao velho telefonema via WhastsApp. Outra opção, que tem dado certo nos últimos dias, é desligar o wi-fi do computador e fazer um hotspot de 4G a partir do seu celular.

Pijama não dá, né? Ninguém precisa colocar terno e gravata ou se maquiar feito louca. Mas, em reunião mais formal, por que não colocar a parte de cima um pouco mais caprichada? Embaixo pode ficar de moletom. Igual a Jeniffer.

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