Novos empréstimos durante coronavírus terão juros maiores, diz presidente do Bradesco

Banco vai fechar e encolher mais agências que o previsto por efeitos da pandemia

São Paulo

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, afirmou que as novas operações de crédito feitas durante o coronavírus – com exceção das linhas emergenciais que foram criadas especificamente para o momento – devem ter juros e spreads (diferença entre a taxa de captação e os juros pelos quais o banco empresta) maiores, impulsionados pelo cenário de pandemia.

Segundo Lazari, ainda que os juros das operações renegociadas pelos clientes e das linhas alternativas emergenciais criadas em conjunto com o setor público não sofram alterações, a demanda por recursos novos vai passar por um crivo maior por parte do banco e tende a ter taxas pressionadas pelo maior risco que o ambiente apresenta.

“Ainda não temos certeza do que vai acontecer pela frente, nem de quando isso vai terminar ou como vai ser o futuro, e a demanda de recursos novos passará por um crivo acentuado e pode ter juros e spreads um pouco maiores. É o mercado que vai regular isso ao longo do tempo pela disputa natural que temos no setor”, disse o presidente do banco em conferência com jornalistas nesta quinta-feira (30).

Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior
Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, afirma que a novo cenário trazido por coronavírus também deve impulsionar o fechamento de agências físicas - Amanda Perobelli - 11.out.2019/Reuters

“Além disso, temos mapeado alguns setores que vão sofrer mais e, principalmente nesse cenário, as empresas também terão que ter consciência maior do quanto podem se alavancar”, completou Lazari.

O executivo também afirmou que vai fechar mais agências do que o previsto para este ano, devido ao novo cenário trazido pelo coronavírus.

No ano passado, o banco já havia divulgado que pretendia fechar 300 agências em 2020. Este número, segundo Lazari, passa a ser em torno de 330.

“Temos que ser conscientes de que o modo de trabalhar e a maneira das pessoas se relacionarem com o banco devem mudar. À luz disso, teremos mais funcionários em home office e menos clientes passando por agências físicas. Isso vai fazer parte da reprogramação de agências e é uma nova forma de pensar que vamos desenvolver, seja para mudar ou para fechar estruturas físicas”, disse.

O resultado do banco divulgado nesta quinta-feira aponta para uma queda de 40% no lucro do primeiro trimestre de 2020 em relação a igual período de 2019, para R$ 3,8 bilhões. O montante é reflexo de um aumento de 86% nas reservas voltadas para cobrir possíveis calotes, que subiu para R$ 6,7 bilhões.

A carteira de crédito do Bradesco teve um crescimento de 17% no período, para R$ 655,1 bilhões. Na divisão por segmentos, a maior alta foi na carteira de pessoas físicas, que subiu 19,5% no período, para R$ 239,2 bilhões.

O crédito para pequenas e médias empresas apresentou aumento de 17,8%, para R$ 119,1 bilhões e o crédito às grandes empresas teve alta de 14,8%, para R$ 296,7 bilhões.

Segundo Lazari, apesar de o volume de recursos cedidos às companhias de grande porte ter aumentado – principalmente devido à uma busca desenfreada de crédito por parte dessas empresas no início da crise, como forma de estruturar caixa – a tendência é que esse segmento se estabilize.

“Também devemos lembrar que todas as operações previstas para o mercado de capitais convergiram para o mercado bancário. Ainda assim, nesse cenário, devemos ver uma estagnação nos volumes cedidos às grandes empresas e um crescimento menor nas concessões às pessoas físicas, muito pelo cenário que temos pela frente”, disse Lazari.​

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