Descrição de chapéu Coronavírus

Pessoas deixam de comprar carro, mas não de comer, diz presidente da BRF

Empresa afirma vendas caíram para restaurantes, mas aumentaram para mercados de bairro

São Paulo

“As pessoas podem deixar de comprar carro, roupas ou televisão por um mês ou mais, mas ninguém pode passar um dia sem comer.”

A declaração é de Lorival Luz, presidente-executivo e CEO da BRF, empresa dona de marcas como Sadia e Perdigão. Segundo ele, a procura pelos produtos da empresa ficou estável mesmo diante da pandemia do novo coronavírus.

“As pessoas não vão passar a comer mais ou menos por conta da quarentena”, disse o executivo nesta quarta-feira (1º).

Segundo ele, o que houve foi um ajuste. “As pessoas comiam em restaurantes próximos aos locais de trabalho e agora passam a comer em casa. A gente tá vendendo menos para os restaurantes, mas mais para os mercadinhos de bairro”, afirmou.

A empresa anunciou nesta quarta um pacote de doações de mais de R$ 50 milhões para ajudar no combate ao coronavírus. O montante será dividido em doações de alimentos, insumos e equipamentos médicos e recursos para financiar pesquisas. As doações serão destinadas a hospitais nas regiões e países de atuação da empresa.

A BRF também afirmou que vai contratar 2.000 funcionários para garantir a continuidade de sua produção em caso de necessidade de quarentena de equipes no Brasil e em outros países onde opera. A companhia garantiu que não irá demitir nos próximos dois meses.

“Com a internet as pessoas acabavam ouvindo notícias, que estão demitindo, reduzindo salário. E isso gera incerteza. Por isso quisemos colocar de forma tácita. E a gente espera é que daqui a dois meses tenha passado esse momento crítico”.

Luz disse que o plano da empresa para lidar com o surto do coronavírus se baseou na experiência já vivida pela companhia em países como Turquia e Emirados Árabes Unidos, que registraram casos da doença há mais tempo do que o Brasil.

“Nós estamos há quase dois meses com um grupo multidisciplinar tratando disso. Existe uma demanda errática. As pessoas vão para o supermercado compram mais, depois se tranquilizam. Aí vem outra notícia que aumenta a demanda, mas na média permanece estável”, disse.

Ele afirmou ainda que a empresa não tem observado nenhum problema de abastecimento nesse movimento. “Tomamos a decisão de manter o estoque de milho nas granjas e também estamos assegurando comunicação com nossos parceiros e transportadores,
medidas restritivas.”

O executivo é um dos membros do Conselho Superior Diálogo pelo Brasil, organizado pela Fiesp, que tem como objetivo fazer a interlocução de grandes empresários e executivos com o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

“Pedi para que se soltasse um decreto definindo o transporte e a atividade de alimentos como atividade essencial e assim foi feito. O diálogo [com o presidente] é positivo” afirmou.

Luz não quis comentar as posições muitas vezes contraditórias do presidente e de ministros de seu governo em relação à quarentena por causa do coronavírus.

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