Presidente do Santander defende uso de dívida com garantia em ações para financiar empresas no coronavírus

Executivo sugere que a emissão de títulos conversíveis pode ser alternativa de captação de recursos

São Paulo

O presidente do Santander, Sérgio Rial, defendeu que as grandes empresas listadas em Bolsa emitam dívidas que possam ser convertidas em ações na hora do pagamento (os chamados títulos conversíveis) para fazer frente à crise do coronavírus.

O título conversível permite ao investidor que aplicar dinheiro em uma empresa comprando uma dívida, converter esse título em participação acionária. Dessa forma, ele é pago não necessariamente com dinheiro e juros, mas com ações dessa companhia.

Segundo Rial, o sistema financeiro não tem condições de ajudar todos os setores do país e, agora, as discussões acerca das reformas necessárias para retomada econômica também englobam os segmentos que mais estão sofrendo com a crise do novo vírus, como é o caso das companhias aéreas e do varejo não essencial.

Presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial
Presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial; executivo afirma que o sistema financeiro não tem capacidade para ajudar todos os setores prejudicados pela crise do coronavírus - Eduardo Knapp - 07.abr.2016/Folhapress

A estimativa do presidente do Santander é que as empresas de aviação estejam gastando entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões por dia.

“Os conversíveis são instrumentos financeiros que possuem características de dívida e de equity [ação] dentro de sua estrutura e permitem que o detentor desse papel, na retomada econômica, possa converter a dívida em um preço de ação e se beneficiar do upside [potencial de alta de determinado ativo]. É, seguramente, um instrumento a ser adotado”, afirmou Rial em transmissão ao vivo feita pelo próprio banco nesta quarta-feira (15).

Segundo o executivo, apesar de o uso dos conversíveis ser uma solução que já está sendo avaliada entre os setores público e privado, ainda existem duas questões que precisam de discussão: o risco de diluição de participação para os acionistas atuais e o estabelecimento de um preço justo.

“Para reduzir o risco da diluição para o acionista atual, basta permitir que a empresa pague esse investidor em dinheiro ao final da crise. Já sobre o preço, qualquer tentativa de construir um artificialismo de preços futuros pode gerar dúvidas sobre como eles foram estabelecidos. O preço que existe é o de ontem, e é esse que tem que ser usado”, disse Rial.

Já para segmentos que possuem garantia real, como é o caso do setor automotivo e hoteleiro, o presidente do Santander defendeu o uso dessas garantias como forma de estruturar a dívida.

Rial também indicou que o momento traz a oportunidade de as montadoras repensarem a necessidade de terem banco próprio, concorrendo com instituições financeiras, e defendeu a interdependência dos segmentos.

“Já existe uma discussão em andamento acerca de usar esses ativos locais como garantia para o setor automotivo. Além disso, esse é um segmento que possui no seu modelo de negócio, os bancos. É importante avaliar se vale a pena, no longo prazo, que um negócio industrial corra o risco estrutural de liquidez. A especialização, nesse século, é inevitável”, afirmou.

Ele disse também que não há resistência de ajuda às montadoras por parte das instituições financeiras.

“Nós vamos apoiar as montadoras. No Santander, nós temos uma posição muito grande de financiamento de veículos, acreditamos que veículos são o nosso negócio, inclusive como sócios em bancos de montadoras que por não terem tamanho no Brasil, viram que era muito mais importante ter um banco como sócio do que montar o seu banco 100%”.

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