Entidade que representa shoppings lança protocolo de segurança para retomada das atividades

Segundo Abrasce, proposta foi inspirada em outros países da Europa e Ásia

Santos

A Abrasce, associação que representa os shoppings centers, anunciou uma série de medidas para a reabertura dos estabelecimentos na medida em que os governos estaduais e municipais forem liberando o funcionamento do comércio, o que ainda não tem data para acontecer na maior parte do Brasil.

O planejamento da Abrasce prevê a abertura shoppings com uma série de restrições, como a cinemas e atividades de entretenimento e para crianças.

Glauco Humai, presidente da associação, apontou que espera retorno do poder público e baseou o protocolo em medidas anunciadas em outros países.

"A gente usa a Alemanha como referência, e temos observado os Estados Unidos, a Ásia. Se os governos sentirem espaço para abertura dos comércios, nós conversamos com alguns setores e com pessoas da saúde para entender a efetividade da doença", disse Humai.

Shooping Eldorado, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, vazio
Shooping Eldorado, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo - Jardiel Carvalho - 18.mar.20/Folhapress

O protocolo de reabertura divulgado pela Abrasce pede que não sejam promovidos eventos de reabertura dos shoppings e que continuem suspensas quaisquer atividades que possam atrair grande número de pessoas. O funcionamento ainda é colocado com horário reduzido e retomada gradual das atividades.

As máscaras também são colocadas como obrigatórias, com a determinação para que funcionários, lojistas, consumidores e frequentadores as utilizem. Aferição de temperatura de clientes, aumento na frequência de desinfecção das áreas públicas, suspensão do sistema de valet e controle de acesso respeitando distanciamento são outras das medidas propostas.

A Abrasce aponta que não estipula uma data para a reabertura dos shoppings, deixando a decisão para os órgãos de saúde e governamentais. "Quem tem que tomar essa decisão baseada em estatísticas e dados científicos é o poder público. O que podemos fazer é passar dados para a retomada e nos colocarmos à disposição para auxiliar no que for preciso", afirmou Humai.

O Brasil tem 577 shoppings centers, dos quais 60 --pouco mais de 10% do total-- estão abertos em 35 municípios, segundo levantamento da associação.

Em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, os locais estão fechados desde meados de março, sem previsão de retorno. Já outros, como Santa Catarina, relaxaram as medidas de isolamento social na semana passada e permitiram a reabertura dos estabelecimentos.

A Abrasce ressaltou um pedido para que o poder público olhe para os lojistas com atenção em meio à crise econômica ocasionada pela pandemia. Para o presidente da associação, parte dessa necessidade de reabrir o comércio o fato de que as medidas de socorro e auxílio do poder público não estão chegando na velocidade e intensidade necessária aos comerciantes.

"Fizemos uma série de demandas ao poder público que não estão sendo atendidas. Se passaram quase dois meses e lojistas não têm acesso a crédito, precisam pagar IPTU e taxas municipais. É uma incoerência dentro da realidade caótica que estamos vivendo", disse Humai.

Para ele, se o governo, nos três níveis —municipal, estadual e federal— passasse mais tranquilidade aos proprietários de shoppings centers, os lojistas teriam mais tranquilidade para agir em meio à pandemia.

"Temos planos de reabertura, mas o que pedimos não é necessariamente a reabertura. Essa decisão é do poder público, só pedimos para participar. O poder público nos chama, nos ouve, explica a situação e as referências. Entendemos que a decisão de abrir deve ser trabalhada e estudada para não ser agravante no momento de crise".

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