Buffett foi cauteloso em não reinvestir caixa, afirmam especialistas

Megainvestidor manteve caixa elevado mesmo com quedas significativas nas Bolsas de Valores

São Paulo

O volume recorde de recursos em caixa pela Berkshire Hathaway, empresa do megainvestidor Warren Buffett, divulgado no balanço de sábado (2) e a sinalização de que, por ora, a companhia não fará nenhuma grande aquisição no mercado acionário foram consideradas pelos analistas medidas de cautela de Buffett ante o atual cenário de crise do coronavírus.

De acordo com a analista da XP Investimentos Betina Roxo, além do desinvestimento em companhias aéreas, que ainda podem sofrer com o avanço da pandemia, chamou a atenção o fato de não haver aquisições de ações, mesmo com as quedas significativas vistas nas Bolsas pelo mundo.

“Ele falou ser um otimista no longo prazo, mas se mostrou bastante cauteloso, justamente por toda essa incerteza e pela quantidade de cenários possíveis pela frente. Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã, na próxima semana ou no mês que vem. Mesmo com o desinvestimento, ele parece mais cauteloso”, afirmou a especialista em transmissão ao vivo promovida pela XP nesse domingo (3).

Warren Buffett, presidente da Berkshire Hathaway; executivo optou por não reinvestir o dinheiro em caixa da companhia
Warren Buffett, presidente da Berkshire Hathaway; executivo optou por não reinvestir o dinheiro em caixa da companhia - Rick Wilking - 6.mai.2018/Reuters

No sábado, em discurso sobre os resultados de sua companhia e suas percepções sobre o atual momento, Buffett afirmou que vendeu, em abril, toda a participação que tinha nas quatro maiores companhias aéreas dos EUA. O grupo Berkshire Hathaway era um dos maiores investidores individuais nessas empresas.

Segundo Buffett, a decisão de venda dessas ações veio porque o cenário mudou muito e rapidamente para a indústria de aviação, já que mesmo depois da crise, ainda é difícil prever quando a demanda corporativa e os próprios passageiros vão voltar a viajar pela malha aéreas.

Para o sócio-fundador da gestora Constellation, Florian Bartunek, é importante entender as perspectivas de Buffett para o futuro.

“Ele excluiu o cenário otimista de recuperação rápida, mas também excluiu o cenário catastrófico. A queda foi muito rápida na Bolsa, mas a alta também, e quando ele diz isso, a sinalização é de espera para ter uma visão melhor sobre o atual cenário”, disse Bartunek.

Para o cenário brasileiro, os especialistas afirmam que o ambiente ainda é de incertezas, mas que existem boas oportunidades de compra na Bolsa brasileira para aqueles investidores com maior apetite de risco.

Em abril a Bolsa brasileira teve o primeiro mês de valorização no ano, acumulando alta de 10,25%, a maior desde janeiro de 2019 quando subiu 10,8%. Apesar da recuperação, o ano acumula queda de 30,4%, o pior desempenho desde 2008.

Segundo a economista Natalie Victal, da Garde Asset Management, mesmo com as incertezas sobre o futuro, a tendência é de corte das taxas de juros – baseado na baixa inflação projetada para o ano – e de alta do câmbio – frente a uma série de riscos fiscais no Brasil.

“Quando focamos nossa atenção no que sabemos, percebemos que os bancos centrais têm feito tudo o que está no alcance para tentar mitigar os efeitos dessa crise. Mas existem muitos fatores que acabam pressionando juros para baixo e câmbio para cima”, disse.

Para a analista da ARX Investimentos Denise Pondé, o ambiente ainda volátil pede por uma maior diversificação na carteira e mais conhecimento sobre as empresas que o investidor escolher ter no portfólio.

“Tem muita empresa que chegou a um patamar de preço barato e oferece uma oportunidade de compra. Mas é importante ter a carteira equilibrada e conforto no que se investe. Assim, quando essa ação cair, é mais fácil entender os motivos da queda e decidir por manter ou até aumentar o investimento nesses papéis. É preciso estar preparado”, disse.

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