Dar reajuste a servidor é usar cadáveres como palanque, diz Guedes

Ministro aguarda que Bolsonaro vete possibilidade de governos usarem ajuda para aumentar salários

Brasília

O ministro Paulo Guedes (Economia) fez apelo a prefeitos, governadores e, em especial ao Congresso, para que não haja reajuste dos salários do funcionalismo público. Ele disse que se valer do momento de crise para elevar custos é fazer palanque político em cima de cadáveres.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (15), realizada em comemoração aos 500 dias de governo, Guedes criticou o que ele chamou de exploração política da crise sanitária.

"Vamos subir em cadáveres para arrancar recursos do governo? Isso é inaceitável, a população não vai aceitar, a população vai punir quem usar cadáver para fazer palanque​", afirmou o ministro da Economia.

Ao fazer a declaração, ele se referia aos reajustes do funcionalismo público, aprovada pelo Poder Legislativo.

A suspensão desse aumento por 18 meses foi a única contrapartida exigida pela equipe econômica no projeto de lei de ajuda financeira de R$ 125 bilhões a estados e municípios diante da pandemia do novo coronavírus.

O Congresso, no entanto, retirou uma série de categorias da regra, como professores, profissionais de saúde, agentes funerários, de limpeza urbana e assistentes sociais. A exclusão teve o aval do próprio presidente Jair Bolsonaro, que relutava em desagradar funcionários públicos, parte de sua base de apoio.

Na semana passada, Bolsonaro afirmou que vai vetar um trecho da lei de socorro financeiro a estados e municípios que libera reajustes salariais a servidores públicos até o fim de 2021.

Na quinta (14), o presidente deu outra sinalização após conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Ele disse que deverá fazer uma videoconferência com governadores para tratar do projeto de socorro aos estados aprovado pelo Congresso e só depois decidirá se vetará ou não trecho da proposta que permite reajuste salarial a categorias do funcionalismo.

Bolsonaro conversou sobre o texto que destina auxílio financeiro aos gestores dos estados em reunião com Maia.

Guedes, nesta sexta, pediu que o presidente faça o veto e que, o Congresso, não o derrube.

"Só vamos pedir uma contribuição. Por favor, enquanto o Brasil está de joelhos, nocauteado, tentando se reerguer, por favor, não assaltem o Brasil. Não transforem num ano eleitoral, onde é importante tirar o máximo possível do gigante que foi abatido. Deixa ele levantar", afirmou o ministro.

Guedes disse que não se pode aumentar um momento de fragilidade para fazer política.

Nos bastidores, o chefe da equipe econômica tem criticado Maia (DEM-RJ), por ter apoiado o reajuste dos servidores.

"Eu estou pedindo uma contribuição do funcionalismo brasileiro, eu estou pedindo ao Congresso que não derrube o veto do presidente. Eu estou pedindo ao Congresso que faça o que eu acredito que nos somos. Uma grande sociedade aberta, uma democracia dinâmica, onde os poderes vão demarcando os territórios e atuando", afirmou.

Ele fez um apelo para que o presidente da Câmara ajude o governo como fez na aprovação da reforma da Previdência.

O recado foi enviado ainda aos estados e municípios, dizendo que o governo federal tem capacidade limitada de endividamento para socorrer as unidades da federação.

"Esquece-se que nós também estamos perdendo as receitas. Podemos nos endividar? sim, mas há limites."

Guedes pediu ainda que não seja feita "exploração política" e disse que é importante para que as lideranças políticas busquem a popularidade.

"Só estamos pedindo uma contribuição, prefeitos, municípios, governadores e da Câmara e do Senado", disse.

Ele afirmou que não é o momento de haver divergências e fez uma analogia a um barco para falar da crise.

"Não faz sentido nós estarmos num barco sendo ameaçados de sermos afundados por duas ondas enormes e nos estamos lutando a bordo. Que vamos conseguir com uma luta a bordo desse barco?Vamos salvar o barco, quando a gente chegar em terra firme a gente começa a brigar de novo."

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