Dólar vai a R$ 5,8360, novo recorde

Bolsa destoa do viés positivo no exterior e cai 1,2%, a 78 mil pontos

São Paulo

Segundo cotação da CMA, o dólar comercial fechou o pregão desta quinta-feira (7) em alta de 2,3%, a R$ 5,8360, novo recorde nominal (sem contar a inflação). O turismo está a R$ 6,08.

A valorização da moeda, que chegou ao pico de R$ 5,8750 durante a sessão, reflete o corte na Selic de 0,75 ponto percentual, promovido na quarta (6) pelo Banco Central.

Cédulas de dólar
Dólar vai a R$ 5,8360 e renova recorde - Jorge Araújo / Fotos Publicas

A Selic agora está a 3% ao ano e o mercado espera que seja reduzida para 2,25% na próxima reunião de política monetária do BC.

"Surpreendente é a melhor palavra para definir a decisão do Copom ontem a noite, ao decidir não só pelo corte de 75 pontos-base na Selic (a expectativa era de 50 pontos de queda) mas por deixar a porta escancarada para um novo corte na próxima reunião", diz Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos.

O cenário de juros baixo contribui para a alta do dólar por meio do carry trade —prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros.

Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior. Com a Selic na mínima histórica, investir no Brasil fica menos vantajoso, o que contribui com uma fuga de dólares do país, elevando assim sua cotação.

O recorde do dólar nesta quinta, porém, é nominal, ou seja, não leva a inflação em conta. Em 2002, entre o primeiro e o segundo turno das eleições que levaram Lula à Presidência, a moeda dos EUA foi ao recorde de R$ 4,00 durante o pregão -fechou a R$ 3,99. Hoje, corrigido pela inflação brasileira e americana, esse valor equivale a cerca de R$ 7,86.

A Bolsa brasileira também acompanhou a desvalorização do real e destoou do exterior nesta quinta. O Ibovespa fechou em queda de 1,2%, a 78 mil pontos. A sessão foi marcara por alta volatilidade do índice, que chegou a subir 1,26%, mas perdeu força com as preocupações sobre os efeitos da pandemia de Covid-19 na economia brasileira e ruídos no ambiente político.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou mais cedo que empresários alertaram o governo que, mantidas as medidas de contenção ao coronavírus, em 30 dias pode começar a faltar comida e produtos na prateleiras.

"E aí você entra em um sistema não só de colapso econômico, mas de desorganização social", afirmou na porta do Supremo Tribunal Federal (STF), onde participou ao lado do presidente Jair Bolsonaro e de uma comitiva de empresários de audiência de última hora com o presidente da corte, Dias Toffoli.

Além disso, as ações do setor bancário tiveram forte queda, fazendo frente a alta de 4% da Vale e de 1% das ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras.

Apesar do balanço visto como positivo por analistas, as ações do Banco do Brasil caíram 2,7%, a R$ 26,2. O lucro do banco caiu 20,1% no primeiro trimestre de 2020 ante igual período de 2019, para R$ 3,4 bilhões. É a primeira retração no lucro do banco desde o quarto trimestre de 2016, quando caiu 34%.

O recuo no período foi reflexo do grande aumento das reservas para cobrir eventuais calotes, os quais têm perspectiva de aumento ante a atual crise econômica do coronavírus. Essas provisões tiveram alta de 63,3% no período, para R$ 5,5 bilhões.

Já as ações do Bradesco caíram 4,3% e as do Itaú, 3,6%. O Santander teve a maior perda, com desvalorização de 5% das units. Segundo analistas, a queda da Selic pode ser prejudicial para a margem de lucro dos bancos.

Nos EUA, Dow Jones subiu 0,9%, S&P 500, 1,15%, e Nasdaq, 1,4%, após a China reportar alta nas exportações pela primeira vez este ano em abril.

(Com Reuters)

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