Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa

37% dos moradores de favelas que pediram auxílio emergencial não receberam benefício

Levantamento da Cufa (Central Única das Favelas) foi citado por Celso Athayde em live da Folha

São Paulo

Levantamento da Cufa (Central Única das Favelas), que será divulgado nos próximos dias, vai mostrar que 37% dos moradores desses bairros que pediram o auxílio emergencial de R$ 600 ainda não receberam benefício.

A informação é do ativista social Celso Athayde, fundador da Cufa, maior organização não governamental focada nas comunidades pobres do Brasil, e do instituto de pesquisa e estratégias de negócios Data Favela.

Athayde participou nesta quinta-feira (28) do Ao Vivo em Casa, série diária de lives (transmissões ao vivo) da Folha.

O número está próximo do apurado na mais recente pesquisa Datafolha, para moradores de todo o país. Segundo o instituto, pouco mais de um terço dos brasileiros que entraram com pedido na Caixa para receber o auxílio durante a epidemia do coronavírus ainda não receberam nenhuma das três parcelas prometidas pelo governo.

“A gente tem um número bastante expressivo de pessoas que moram nesse território e que não tiveram acesso a esses recursos. Não existe a menor possibilidade dessas pessoas sobreviverem sem transferência de renda, uma vez que elas estão impossibilitadas de fazer o seu trabalho”, afirmou Athayde.

Ele disse também que muitos moradores continuam a sair de casa para trabalhar ou em busca de ajuda e doações e que, “se a favela parasse, o país pararia”.

“Uma parte dessas pessoas que vivem em favela são aquelas que estão fazendo o país rodar. Quando você vai abastecer o seu carro, tem lá um morador de periferia como frentista. Quando você está no seu home office e pede uma refeição, quem cozinhou para você, quem entregou para você, é uma pessoa de favela. Até mesmo nos hospitais. A gente lembra do médico e da enfermeira, mas a grande massa de pessoas que contribui e colabora em alguns hospitais são pessoas de favela”, afirmou.

O ativista social Celso Athayde - Núcleo de Imagem

Ele disse que a Cufa tem feito um trabalho de distribuição de alimentos e outros produtos doados, como gás de cozinha, mas que as doações têm caído desde que se começou a discutir a flexibilização das medidas de isolamento social. Somente em alimentos, já foram arrecadados 9.000 toneladas, o que representa quase R$ 100 milhões em produtos.

Athayde afirmou ainda estar preocupado com o impacto dessa abertura para a vida desses moradores.

“Abrir pode significar uma grande tragédia também. Se significar, vamos precisar de muito mais ajuda. Porque daremos um passo atrás e porque muitos chefes de família não vão estar ali para dar suporte às suas famílias.”

Segundo o ativista, o vírus vai continuar se espalhando, principalmente nas favelas, onde 26% dos moradores não têm acesso a água tratada.

“Esse vírus acaba encontrando nesses territórios um ambiente propício para se desdobrar. A gente já sabia disso e está só se confirmando. Na favela a quarentena é muito menos respeitada em função de muitas pessoas estarem trabalhando, e a gente vê muitas pessoas que estão sendo infectadas e morrendo”, afirmou.

“Quando começar a abrir, as pessoas das favelas são as que vão ter mais necessidade de buscar algum recurso para sobreviver. Esse vírus não é democrático. Ele pode pegar em qualquer um, mas na medida em que alguns conseguem ter o seu home office, essa não é uma solução acessível para os moradores das favelas.”

Atualmente, vivem nas favelas brasileiras cerca de 13,6 milhões de pessoas que chegam a movimentar mensalmente uma renda própria estimada em mais de R$ 10 bilhões.​

Todas as quintas-feiras, as lives de economia, organizadas pela editoria de Mercado e pela coluna Painel S.A., vão discutir os desafios de entes públicos, instituições financeiras e empresas de diferentes setores para superarem a crise da Covid-19 e colocarem o país na rota do crescimento.

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