Descrição de chapéu The New York Times

Japão entra em recessão e cenário para o futuro é ainda pior

Apesar do sucesso no combate ao coronavírus, a terceira maior economia enfrentará problemas nos próximos meses

Tóquio

O Japão entrou em recessão pela primeira vez desde 2015, com a já fragilizada economia que foi abatida pelas medidas adotadas para conter a pandemia do novo coronavírus, dentro e fora do país.

A atividade econômica já estava fragilizada quando foi impactada pela doença, e o PIB (Produto Interno Bruto) do país, que é a terceira maior economia do mundo, atrás de Estados Unidos e China, caiu 3,4% no primeiro trimestre do ano, em termos anualizados.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, durante entrevista em 14 de maio - Akio Kon/Reuters


A leitura anualizada é igual a do PIB americano, que recuou 4,8% no período de janeiro a março.

O dado da economia japonesa foi divulgado na noite deste domingo (segunda no horário local do Japão).

Isso fez o país entrar tecnicamente em recessão, em geral definida como dois trimestres consecutivos de queda do PIB.

Outras grandes economias ao redor do mundo devem seguir o mesmo caminho de Japão, Alemanha e França, no momento em que os esforços para conter a doença significam fechar serviços não essenciais.

A experiência da China, onde a doença se espalhou primeiro (em dezembro e janeiro), mostra que a recuperação será longa e difícil.

A situação para o Japão não será diferente. Previsões iniciais para período entre abril e junho mostram a economia ainda com dificuldades de reagir em meio a esforços adicionais para conter a doença.

"A economia entrou na crise do coronavírus numa posição muito frágil", disse Izumi Devalier, economista-chefe para o Japão do Bank of America Merrill Lynch.

"Mas o problema real ainda está por vir. Serão três trimestres muito negativos."

A economia já vinha com problemas antes mesmo da pandemia. O consumo havia caído após o governo japonês aumentar em outubro impostos sobre consumo, de 8% para 10%, na tentativa adotada pela administração Shinzo Abe tentar diminuir a dívida interna (a maior dos países desenvolvidos).

O aumento buscava também custear demandas por serviços públicos.

Dias depois, um tufão atingiu a ilha principal do país, causando grandes estragos e diminuindo a atividade econômica.

Mesmo antes disso, as exportações japonesas havia caído consistentemente o ano todo passado, na esteira da desaceleração global causada pelas tensões entre Estados Unidos e China.

A situação apenas piorou neste ano. A crise do coronavírus derrubou as exportações chinesas, forçaram o adiamento das Olimpíadas e colocaram o país numa quarentena branda.

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