Johnson & Johnson deixa de vender talco de bebê suspeito de provocar câncer

Fim da comercialização nos EUA e Canadá vem após enxurrada de processos na Justiça

Nova York | Reuters

A Johnson & Johnson anunciou na terça-feira (19) que deve deixar de vender o talco Johnson's Baby nos Estados Unidos e no Canadá, alegando que a mudança faz parte de uma ampla reavaliação de seu portfólio de produtos dentro da pandemia de coronavírus.

A suspensão, porém, vem na sequência de uma série de litígios envolvendo a segurança do produto. A empresa enfrenta mais de 16 mil ações judiciais de consumidores que vinculam o uso do talco ao desenvolvimento de câncer.

Nos processos judiciais, os consumidores alegam que os produtos à base de talco da empresa foram contaminados com amianto, um conhecido agente cancerígeno. A J&J afirmou, em outubro do ano passado, que em suas análises não encontrou o material cancerígenos em seus talcos. No entanto, testes conduzidos pela agência federal de saúde dos Estados Unidos (a Food and Drug Administration) constaram que havia vestígios de amianto nos produtos da marca.

Johnson's Baby Powder
Johnson's Baby Powder - Justin Sullivan/AFP

No comunicado em que anuncia a suspensão, a empresa mantém a posição de que os produtos são seguros, mas admite que os questionamentos pesaram na decisão. "A demanda por Johnson Powder baseada em talco na América do Norte tem diminuído em grande parte devido a mudanças nos hábitos dos consumidores e devido a informações erradas sobre a segurança do produto, que é vítima litígios", disse a J&J no comunicado.

​O conglomerado de saúde disse que, nos próximos meses, diminuirá gradualmente as vendas do produto, que compõe cerca de 0,5% de seus negócios de saúde ao consumidor nos Estados Unidos, mas que os varejistas continuarão a comercializar o estoque existente.

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