Descrição de chapéu Coronavírus

Las Vegas é destruída pelo coronavírus enquanto cassinos clamam para reabrir

Cerca de 350 mil trabalhadores ficaram desempregados no estado de Nevada

Las Vegas | AFP

A duração da quarentena em Las Vegas – e mesmo a sua necessidade em acontecer – desencadeou um debate acalorado.

Um punhado de carros passou pelos hotéis e cassinos estranhamente silenciosos, fechados desde meados de março, enquanto alguns turistas se reuniam na placa “Bem-vindos à Fabulosa Las Vegas” para tirar fotos.

Mas por baixo da quietude da mundialmente famosa Rua Las Vegas Strip, a cidade do pecado está um tumulto.

Um cabo de guerra emergiu entre a necessidade por segurança durante a pandemia do coronavírus e a sobrevivência da indústria do turismo na capital das apostas –para onde alguns operadores de cassino temem nunca mais voltar a ser a mesma.

A mundialmente famosa Las Vegas Strip, principal Rua de Las Vegas, é vista sem movimento na medida que cassinos permanecem fechados ante a crise do coronavírus
A mundialmente famosa Las Vegas Strip, principal Rua de Las Vegas, é vista sem movimento na medida que cassinos permanecem fechados ante a crise do coronavírus - David Becker/AFP

A União Local da Culinária 226 de Nevada, que representa cerca de 60 mil trabalhadores de cassinos e hotéis, registrou a demissão de 98% dos seus membros, segundo a tesoureira Geoconda Arguello-Kline.

Além disso, pelo menos 12 membros da União faleceram pelo coronavírus, do total de 243 óbitos em Nevada.

Arguello-Kline afirmou que a União apoia totalmente a decisão do governador de Nevada, Steve Sisolak, de estender o isolamento social até pelo menos 15 de maio.

“Ele está fazendo o que pode para nos proteger”, afirmou a tesoureira à agência de notícias AFP. “Eu sei que é difícil para as pessoas, mas se você perder sua vida, você perdeu aquilo que é mais importante”.

A duração do isolamento, no entanto, é motivo para um debate com muita polêmica em Las Vegas.

Para os trabalhadores de licença – cerca de 350 mil ficaram desempregados em Nevada —, a situação é ainda mais urgente.

A prefeita Carolyn Goodman chamou a quarentena de “insanidade” e tem implorado para que a cidade volte a funcionar.

No último mês, Goodman enfrentou uma reação nacional nos Estados Unidos depois de uma polêmica entrevista na televisão com o âncora de jornal da CNN, Anderson Cooper.

Em um comunicado divulgado na semana passada, Goodman – que ainda conta o apoio de diversos moradores de Las Veja ansiosos para voltar ao trabalho – enfatizou a necessidade da reabertura da cidade da maneira mais segura possível.

“Las Vegas está em uma crise econômica única”, ela afirmou em nota.

A chave para o debate é como os cassinos de Las Vegas poderiam reabrir as portas de maneira segura caso as restrições fossem amenizadas.

Investidores cogitaram barreiras de acrílico nas mesas de blackjack – também conhecido como Vinte e um, é um jogo de cartas praticado em cassinos – e também em outras mesas de cartas, o que poderia manter a distância segura entre o dealer (quem dá as cartas) e cada jogador.

Alguns resorts também divulgaram planos de imagens termográficas para verificar a temperatura dos clientes na entrada dos cassinos.

Arguello-Kline afirmou que as medidas de isolamento social precisam ser respeitadas de restaurantes a elevadores, junto com equipamentos de proteção pessoal, como máscaras e luvas para os trabalhadores

“Limpeza extra e ações sanitárias nos restaurantes são necessárias”, ela afirmou.

O dono do Emerald Island Casino no bairro Henderson, Tim Brooks, no entanto, desconfia de todos os planos que possam ir além da privacidade dos seus clientes.

“Eu não preciso tirar a temperatura corporal de todos os que entram pelas portas, já que não somos treinados como médicos”, ele disse.

“E serão cerca de 104 ou 105 graus [Farenheit, o equivalente a cerca de 40ºC] na área externa no período de verão. Então como você pode dizer quem realmente estará febril?”

O historiados de jogos David Schwartz admitiu que ninguém realmente como seria a reabertura de Las Vegas – e de seus diversos cassinos com clubes noturnos, piscinas e buffets.

“Não importa quando a reabertura [dos cassinos de Las Vegas] acontecerá, a questão será ‘Quantos visitantes voltarão a frequentar essas casas?’”, sinalizando que o impacto do banimento de viagens internacionais.

“Há muitas coisas que precisam ser adaptadas, mas eu não sei como isso se daria.”

Segundo Jim Marsh, dono do Skyline Hotel-Casinos, ainda que seu hotel e outras propriedades possam ser reabertas de maneira segura, as medidas de distanciamento social ainda podem ser muito onerosas e ainda custam proibições.

Para ele, a sobrecarga de pessoas pode fazer com que os cassinos permaneçam fechados. “Você não pode ter pessoas sentadas em uma distância de quatro pés [medida comumente usada nos EUA, o equivalente a 1,2 metro] no bar e ainda querer fazer dinheiro”, disse Marsh.

“Eu tenho entretenimento ao vivo sete noites por semana, mas os membros da manda ficam perto uns dos outros e o palco é perto do bar”, acrescentou. “Eu teria que encerrar esse entretenimento.”

Tim Brooks, dono do Emerald Island e cujo cassino opera com uma margem de lucro pequena, afirmou que estava confuso e decepcionado com a decisão de estender a quarentena.

Ele já havia dado licença para 131 de seus 166 funcionários e continuava tentando encontrar trabalho suficiente para os empregados cujos cargos eram essenciais, mantivessem as operações enquanto o cassino estivesse fechado.

“Talvez eu precise dispensar mais pessoas”, Brooks disse após o atraso na reabertura.

Bob Aquino, 66, gerente de restaurante no cassino de Brooks, teve sorte o suficiente para pegar seu seguro-desemprego. Sua esposa foi dispensada de um comércio local, perdendo seu seguro saúde, e é improvável que ela seja recontratada.

“Sem isso, eu estaria sentado em uma esquina com uma placa escrita ‘Trabalho por comida’”, ele afirmou. “Eu diria ao governador: Reabra Nevada. Vamos voltar ao trabalho. Chega.”

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