Turismo acumula perdas pelo país durante pandemia de coronavírus

Responsável por 8,1% do PIB, setor já perdeu R$ 62 bilhões desde 11 de março e deve demitir 295 mil em três meses

Porto Alegre e Santos

Com hotéis fechados, atrações com portões encerrados e viajantes receosos, o turismo vive seu pior momento.

Responsável por 8,1% do PIB nacional, o setor já perdeu R$ 62 bilhões desde 11 de março e deve demitir 295 mil trabalhadores formais em três meses, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O Ministério do Turismo estima que 7 milhões trabalhem na área.

Praia vazia em Salvador. Depois do óleo nas praias, pandemia consolida ano perdido para turismo no Nordeste.
Praia vazia em Salvador. Depois do óleo nas praias, pandemia consolida ano perdido para turismo no Nordeste. - Igor Santos/Prefeitura de Salvador

Guias das principais cidades turísticas tiveram redução da renda a zero e chegaram a receber cestas básicas de voluntários. Informais, muitos não conseguiram o benefício de R$ 600 do governo federal.

“Está horrível. Não recebemos excursões, e os eventos foram cancelados”, conta Gisele Friedrich, 40, guia em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Friedrich é voluntária do grupo que coleta doações e entrega cestas básicas para os guias da cidade. Fechado por causa da Covid-19, o Parque Nacional de Iguaçu, onde ficam as Cataratas, não recebeu visitantes em abril. Em abril do ano passado, 145.193 turistas passaram por lá.

A Prefeitura autorizou a reabertura a partir de 12 de junho.

“Assim que as coisas melhorarem, as pessoas estarão ávidas por viajar. O turismo regional vai ser muito forte, com a retomada do turismo interno”, projeta Fabio Skraba, presidente do Cepatur (Conselho Paranaense de Turismo).

Em São Paulo, o isolamento social afetou o litoral norte, como Ubatuba. A prefeitura calcula queda de 90% na circulação de turistas. A cidade tem 821 agências, restaurantes e meios de hospedagem (hotéis, pousadas etc).

Em São Sebastião, município com 30 praias e 100 km de litoral e onde o turismo representa 55% do PIB (R$ 153 milhões arrecadados em 2019), a queda de faturamento é estimada em 80%.

Na cidade, mais de 20 mil pessoas trabalham diretamente com turismo.

No ano passado, a cidade recebeu 500 mil pessoas entre março e maio, ante 100 mil no mesmo período de 2020.

No Nordeste, o ano já é visto como perdido.

Na cidade do Rio de Janeiro, o sindicato dos hotéis (SindHotéis Rio), que representa 300 estabelecimentos, calcula que a ocupação hoteleira esteja em 5%. Há mais de 90 hotéis de portas fechadas. Até o momento, 7.200 trabalhadores na área, um quarto de toda a mão de obra, foram demitidos.

O prejuízo estimado para maio passa de R$ 160 milhões.

“Os hotéis precisam trabalhar com foco total na redução de custos para preservar os empregos”, disse Alfredo Lopes, presidente do SindHoteis.

O turismo representa cerca de 7% do PIB do estado do Rio, que tem 10 mil estabelecimentos de hospedagem, 5.000 agências de viagens e pelo menos 5.000 guias afetados pela pandemia.

O setor vinha em alta, com ocupação 40% superior em 2019 com relação ao ano anterior, e planejava melhora ainda maior em 2020.

Minas Gerais, onde o turismo representa 3,2% do PIB e empregava quase 380 mil pessoas em 62 mil estabelecimentos do setor, recebeu 30,4 milhões de visitantes em 2019.

Mas o fluxo de turistas despencou 60% em março.

Em Bonito (MS), o turismo de flutuação nos rios também está parado. A Associação Bonitense de Hotelaria estima perdas de R$ 15 milhões e tem distribuído cestas básicas para os guias locais.

“O ano de 2019 já não tinha sido bom”, diz Lucilene Morinigo Aristimunho, 42, uma das guias que receberam ajuda da associação.

Em Santa Catarina, eventos tradicionais, como o Festival de Dança de Joinville, foram cancelados. O turismo corresponde a 12% do PIB do estado, com 100.244 empresas e mais de 160 mil empregados, segundo a Agência de Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina (Santur).

Após uma Páscoa traumática, Gramado (RS) agora assiste à rede hoteleira reabrir as portas. A abertura é permitida desde que os 193 hotéis da cidade sigam normas de higiene e mantenham a ocupação até 50%.

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