Xiaomi é acusada de coletar dados até no modo anônimo; empresa rebate

Segundo relato de pesquisador à Forbes, espanta a invasão de navegadores da internet da chinesa

São Paulo

A empresa de tecnologia chinesa Xiaomi foi acusada por dois especialistas em segurança de violar a privacidade de seus usuários. À revista Forbes, o pesquisador Gabi Cirlig afirmou que dados supostamente não consentidos de seu celular são enviados a servidores remotos do Alibaba, outra gigante chinesa, alugados pela empresa.

Cirlig detectou que seu comportamento online era vigiado de forma abusiva e que vários tipos de dados de dispositivos eram coletados indevidamente. Ele ficou assustado em ver como "sua identidade e sua vida privada estavam sendo expostas à empresa chinesa", relata a revista.

Loja da Xiaomi fechada na Europa; pesquisadores denunciam violação à privacidade
Loja da Xiaomi fechada na Europa; pesquisadores denunciam violação à privacidade - Valentyn Ogirenko/Reuters

O especialista verificou que, mesmo ao utilizar o modo incógnito do navegador padrão da Xiaomi, a ferramenta registrava termos buscados no Google e no DuckDuckGo, um serviço de pesquisa focado em privacidade.

O dispositivo também estaria gravando quais pastas ele abriu e para quais telas ele passou, incluindo a barra de status e a página de configurações.

"Todos os dados estavam sendo empacotados e enviados para servidores remotos em Cingapura e na Rússia, embora os domínios da web hospedados estivessem registrados em Pequim", diz a revista.

Outro pesquisador analisou que navegadores da Xiaomi disponíveis no Google Play, como o Mi Browser Pro e o Mint Browser, estavam coletando os mesmos dados. Juntos, eles têm mais de 15 milhões de downloads, de acordo com as estatísticas do Google Play.

Os pesquisadores afirmaram que a invasão dos navegadores da Xiaomi são "muito piores do que qualquer um dos principais navegores" do mercado. Alguns, eles ponderam, usam análises, mas sobre uso e falhas.

"Tomar o comportamento do navegador, incluindo URLs, sem consentimento explícito e no modo de navegação privada, é o pior possível”, disse Cirlig.

A Xiaomi é uma das quatro maiores fabricantes de celulares do mundo, e vem conquistando espaço em outros países além da China nos últimos anos, como o Brasil.

Em seu site, a empresa afirmou que a reportagem deturpou os fatos. Diz que a segurança e a privacidade de seus usuários estão entre as prioridades e que segue leis e regulações sobre o tema em todos os países em que atua.

"Todos os dados coletados são baseados na permissão e no consentimento explícitos dos usuários", afirma. "Além disso, garantimos que todo o processo é anônimo e criptografado."

A empresa afirma que os "dados estatísticos agregados" são usados para "análises internas" e que não vincula informação de identificação pessoal a esses dados.

"A Xiaomi hospeda informações em uma infraestrutura de nuvem pública que é comum e bem conhecida no setor", acrescentou a empresa, alegando que todas as informações de usuários são armazenadas em servidores em vários mercados no exterior, seguindo as leis locais.

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