Auxílio emergencial chega também a domicílios de renda mais alta, diz IBGE

Segundo instituto, um a cada três residências receberam benefício em maio

Rio de Janeiro

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o auxílio emergencial pago pelo governo federal para minimizar os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus chegou a um a cada três domicílios brasileiros.

Os dados divulgados nesta quarta (24) indicam, porém, que os recursos também beneficiaram residências situadas entre as mais ricas do país, com renda familiar média superior aos R$ 3.150 estabelecidos pelo governo como teto para acessar o beneficio.

O resultado reforça a percepção de falhas na distribuição dos recursos. O IBGE avalia, porém, que falhas em um programa criado às pressas são naturais e que a transferência da maior parte do dinheiro para domicílios mais pobres mostra que o auxílio está atendendo aos objetivos.

Aplicativo de auxílio emergencial da Caixa Econômica Federal - Gabriel Cabral/Folhapress

De acordo com o IBGE, o governo transferiu em maio R$ 23,5 bilhões a título de auxílio emergencial. O recurso chegou a 38,7% dos 68 milhões de domicílios brasileiros. Em média, cada um deles ficou com R$ 846,50.

Domicílios com menor renda familiar per capita foram os mais beneficiados. Entre aqueles com rendimento de até R$ 56,62 por morador, 72,9% tiveram ao menos uma pessoa beneficiado pelo auxílio. Na faixa de renda seguinte, que vai até R$ 233,18 por morador, a taxa sobe para 80,7%.

O programa teve efeito importante no aumento da renda nesses domicílios. Entre os 10% mais pobres, o rendimento médio familiar disparou 2.​136,4% com o reforço do auxílio emergencial em março. Na faixa imediatamente superior, o ganho foi de R$ 141,5%.

"Isso mostra que a transferência desses recursos foi fundamental para garantir a sobrevivência de parte da população", disse o diretor de Pesquisas do IBGE, Eduardo Rios-Neto, em entrevista para anunciar os resultados da Pnad Covid, pesquisa que identifica os efeitos da pandemia na população.

Os dados mostram que 76,2% do total distribuído, ou R$ 17,9 bilhões, ficaram nos domicílios das cinco faixas com menor rendimento per capita, com renda mensal de até R$ 645,54 por morador. Nesses domicílios, o reforço do auxílio ajudou 70,8 milhões de pessoas.

Na outra ponta, porém, 1,5 milhão de domicílios nas duas maiores faixas de renda receberam R$ 1,1 bilhão, o equivalente a 4,8% dos recursos transferidos.

No décimo mais rico, que tem renda familiar média de R$ 10.686 por mês, 461 domicílios (ou 5,2% do teto) receberam o benefício. No segundo, em que o rendimento familiar médio é de R$ 4.463,50, o auxílio chegou a 1,1 milhão de residências.

Os dados divulgados nesta quarta pelo IBGE, porém, não permitem identificar em quantos dos domicílios beneficiados a renda familiar era superior ao teto. O instituto informou que planeja divulgar novas informações relacionadas ao auxílio emergencial, renda e outros programas sociais.

Desde que foi lançado, o programa de auxílio já enfrentou uma série de denúncias com relação à distribuição para pessoas que não teriam direito aos benefícios. Há também críticas sobre as dificuldades para retirar o dinheiro, mesmo entre aqueles que já tiveram o benefício aprovado.

Para o IBGE, porém, a velocidade com que o programa foi criado e sua abrangência podem justificar a existência de falhas. ​"Não se distribui esse volume de recursos em um país continental como o Brasil sem algum tipo de problema", disse o diretor adjunto de Pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo.

Segundo ele, o fato de três quartos dos recursos terem ficado em residências que se situam na metade de baixo da tabela de rendimento per capita mostra que a distribuição está cumprindo o planejado. Ele ressaltou que, ao contrário do Bolsa Família, o auxílio emergencial teve que ser planejado às pressas.

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